Não gosto muito de comentar sobre o desempenho dentro de campo do nosso glorioso Santos Futebol Clube. Como profissional de Marketing Esportivo e Comunicação, prefiro me ater aos temas que extrapolam as quatro linhas. Queira ou não, o ambiente externo de um time de futebol também impacta no resultado dentro de campo. Porém, após assistir à partida desta quinta-feira contra o Palmeiras, não resisti e deixo aqui a minha opinião sobre o momento que vivemos.

O clássico me fez reconhecer algumas verdades que eu relutava em aceitar: temos um elenco tecnicamente limitado, um treinador ainda em aprendizado e uma diretoria que precisa rever alguns conceitos. É claro que foi apenas o primeiro jogo após uma longa pausa devido a Copa do Mundo, mas infelizmente o Santos demonstrou deficiências crônicas e sobretudo problemas que demandam tempo, treinamento e melhor qualidade técnica para resolvê-las. Portanto, não esperamos uma reviravolta já nas próximas rodadas.

Sinceramente, a equipe em campo parecia (des)montada para uma pelada entre amigos. Não vi esquema tático, organização dos sistemas defensivo e ofensivo. Não tínhamos nem sequer um meia para tentar criar jogadas. As jogadas se resumiam em correria pelos cantos e lançamentos improdutivos à área adversária.

Jogamos assim porque nosso time é fraco. E essa fraqueza não soube ser trabalhada de maneira estratégica pelo treinador nesses 30 dias de inter-temporada. É função dele reconhecer as deficiências e montar um esquema que diminua a vantagem dos adversários. Cansamos de ver seleções mais “fracas” na Copa jogar de igual para igual com os grandes. Se ele não tem competência para isso ainda, pelo menos garanta que a equipe esteja bem disposta taticamente em campo.

Como podemos vencer os melhores times do Brasil se não escalamos um meia sequer? E não adianta dizer que é porque não há atletas disponíveis no elenco. Há sim. Sem muito nível técnico, é verdade, mas pelo menos teríamos um esboço de clube profissional dentro das quatro linhas. Por em campo dois volantes e quatro atacantes medianos é justamente para quem quer chutões e lançamentos isolados. O gol se torna então uma mera ocasião de sorte.

E para piorar, a diretoria leva para o Pacaembu – que convenhamos nunca será nossa casa e nunca imporá respeito ao adversário – um clássico da importância como o dessa semana. Entendo que a Vila Belmiro, neste caso, seria uma arma adicional (e talvez a nossa única) para levar os três pontos. Duvido que a SEP deixará de jogar na Arena a partida de volta contra a gente!!!

Diante desse cenário assustador, só nos resta a esperança para garantir que continuamos a ser o único clube grande de SP a nunca ser rebaixado. Eu a deposito nas seguintes fichas: as chegadas dos reforços gringos, principalmente o Brian Ruiz pela posição que joga; a força da nossa camisa; o respeito do nosso alçapão e essa torcida que certamente não deixará a coisa desandar ainda mais.