SANTOS – Em mais de vinte anos de carreira, assisti a centenas de clássicos do nosso futebol e não me lembro de ver um time ser tão massacrado por um rival como o aconteceu nesta segunda-feira chuvosa no Pacaembu. Se fosse qualquer outro esporte, o Santos teria vencido o Corinthians com pontuação máxima e sairia consagrado de campo.

Poucas vezes os números e estatísticas representaram tão fielmente o que se viu em quase cem minutos de jogo. Parecia que o Peixe tinha 20 jogadores, tamanha sua superioridade em volume de jogo. Não foi à toa que terminou com 74% de posse de bola contra 26% do Timão, que fez, sem dúvida, uma das exibições mais covardes de sua história.

Mas o futebol é mágico e apaixonante exatamente por sua capacidade de produzir injustiças. Mesmo tendo cobrado 14 escanteios contra nenhum do rival; chutado 25 vezes e obrigado o goleiro Cássio a praticar alguns milagres, enquanto Vanderlei foi um mero espectador em campo, coube ao Peixe encerrar a noite com a dor da eliminação no Paulista.

Se serve de consolo para o torcedor santista, esse Santos de Sampaoli voltou a ter um desempenho digno de campeão e comprovou a enorme capacidade do seu treinador. Com incrível intensidade e variações táticas constantes ao longo do jogo, conseguiu encurralar uma equipe teoricamente mais forte e abriu uma enorme perspectiva de evolução.

Para isso, mais do que manter firme o atual projeto de trabalho, precisa resolver urgentemente sua maior deficiência: a falta de poder de fogo no ataque. Se tivesse um goleador nato infiltrado na defesa corintiana, o Peixe certamente teria definido sua classificação no tempo normal da partida e evitado o drama das cobranças de pênalti.