José Carlos Peres, presidente do Santos (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

SANTOS – A derrota acachapante no clássico contra o Palmeiras foi mais um sinal de que o Santos precisa de direção. A administração de elencos milionários como os dos grandes clubes não pode ficar sob o controle absoluto de um treinador, por mais capacitado que ele seja.

Jorge Sampaoli faz um grande trabalho no Santos e certamente vai deixar uma contribuição importante para o aperfeiçoamento dos nossos treinadores. Porém, isso não o credencia a decidir sozinho sobre tudo o que está relacionado aos jogadores e às competições em disputa.

A diretoria precisa ter voz ativa para tentar evitar equívocos como o que o argentino cometeu no último sábado. Abrir mão de jogadores fundamentais como Rodrygo, Victor Ferraz, Jean Mota e Jorge diante de um concorrente direto ao título brasileiro é uma decisão que não pode ser tomada isoladamente.

O problema é que o Santos tem um presidente centralizador e intempestivo. Ele não aceita delegar poderes a alguém que possa representá-lo dentro do vestiário, como fazem os mandatários de clubes com estrutura realmente profissionalizada.

Peres até que tentou aparentar menos amadorismo no começo de sua gestão. No ano passado, vários nomes do mercado passaram pelo clube para executar funções diretivas, como Gustavo Vieira, Ricardo Gomes e William Machado, mas ninguém resistiu à falta de autonomia para tomar decisões.

Em setembro do ano passado, o então jogador Renato foi anunciado como novo executivo de futebol, em substituição a Ricardo Gomes. O plano era que ele acumularia as funções de atleta e dirigente até dezembro e depois seguiria no novo cargo a partir de janeiro. Porém, também não passou de um figurante e pediu para sair em menos de três meses.