Santos sofreu gol no último lance da final (Crédito: Staff Images/Conmebol)

SANTOS – Assim como na vida em geral, o resultado de uma partida de futebol, especialmente aquelas disputadas entre duas equipes que se equivalem, é a consequência de uma série de detalhes que muitas vezes passam despercebidos. No entanto, alguns deles são fundamentais para determinar a sorte dos vencedores.

Nesta final da Libertadores, por exemplo, há um grande leque de particularidades que poderiam servir de argumento para justificar o desfecho favorável ao Palmeiras. A expulsão (para mim, injusta) do técnico Cuca, por exemplo, minutos antes término do jogo e do gol derradeiro de Breno Lopes, certamente está no topo desta lista.

Desde o término da partida histórica no Maracanã, o que mais tenho ouvido de torcedores santistas é que a punição ao treinador alvinegro, por ter tentado segurar a bola que saiu pela lateral em sua direção, supostamente para retardar a reposição do adversário, tirou a concentração do Santos e possibilitou o gol do título palmeirense.

Já o torcedor do Verdão atribui o bicampeonato da Libertadores à precisão do cruzamento de Roni, seguido da conclusão de cabeça perfeita de Breno, contratado há menos de três meses pelo Verdão. Outros dizem que a reconhecida melhor qualidade do elenco alviverde fez a diferença após as substituições realizadas pelos dois times no segundo tempo.

Há um pouco de verdade em cada uma dessas justificativas, mas estou convencido de que a derrota santista começou a ser desenhada antes do jogo, no exato instante em que Cuca tomou a decisão de desfazer seu quarteto ofensivo. A saída de Lucas Braga para a entrada do jovem volante Sandry tirou a imprevisibilidade e a dinâmica do ataque santista.

Com Sandry, o Santos se fortaleceu no meio-de-campo, o que tornou o jogo travado, truncado. Mas o efeito colateral desse remédio, que visava enfraquecer o contra-ataque do Palmeiras, foi fatal para os dois principais jogadores santistas. Sem Lucas Braga para alternar posição, Soteldo e Marinho foram encurralados nas laterais do campo pela defesa alviverde, enquanto Kaio Jorge ficava cada vez mais isolado pelo meio.

Ironicamente, Cuca, até então o maior responsável pela surpreendente trajetória do Peixe na mais nobre competição sul-americana, terminou a Libertadores como vilão. Afinal, abdicou do ataque que massacrou o temido Boca nas semifinais, em favor de uma estratégia teoricamente menos arriscada para a decisão. Algo imperdoável para os santistas…