Estrutura para Meninos da Vila no CT Rei Pelé inaugurada em 2025 (Foto: Raul Baretta / Santos FC)

O ex-atleta da base Tairon Trajano ingressou com ação judicial contra o Santos em São Paulo, na qual pede mais de R$ 30 milhões em indenizações. No processo, o jogador relata fatos ligados ao período em que atuou nas categorias de formação do clube. O processo foi noticiado inicialmente pela ESPN.

Tairon afirma que ingressou no Santos em 2018, aos 13 anos, após disputar a Copa Ouro, competição na qual atuou como atacante. Segundo ele, durante treinamentos orientados pelo clube, sofreu uma lesão grave no joelho e passou por cirurgia. Após se recuperar, assinou contrato como atleta das categorias de base no ano seguinte.

Meses depois, o jogador informa que sofreu nova lesão no mesmo joelho, o que exigiu outro procedimento cirúrgico. Ele relata ainda que, aos 16 anos, sem recuperação plena, precisou passar por uma terceira cirurgia no mesmo local.

De acordo com o processo, Tairon diz que o Santos o dispensou em 2023, mesmo com sequelas decorrentes das lesões, o que, segundo ele, gerou impactos permanentes em sua vida esportiva e pessoal. A dispensa é apontada pelo jogador como motivo para o ingresso da ação.

Na ação, o ex-atleta também registra gastos com médicos, fisioterapia, exames e preparadores físicos durante o período de tratamento. Ele alega que foi recusado por outros clubes em razão das cicatrizes no joelho e por informações repassadas pelo Santos, as quais ele classifica como discriminatórias.

O jogador menciona casos de atletas que se tornaram profissionais, incluindo referências a salários iniciais no mercado, para argumentar que perdeu oportunidade de seguir carreira devido às lesões. Ele atribui responsabilidade ao Santos por esse desfecho.

No cálculo apresentado na petição, o ex-atleta pede indenização por danos morais e materiais, lucros cessantes, gastos médicos, ausência de seguro, multas, cláusulas rescisórias e outros itens, totalizando valor superior a R$ 30 milhões.

O processo também aborda o vínculo financeiro que Tairon mantinha com o Santos. Ele afirma que, aos 13 anos, recebia cerca de R$ 4 mil mensais, definidos posteriormente como “bolsa atleta” e “auxílio moradia”. O jogador sustenta que o contrato continha cláusulas que previam multas altas e indenizações favoráveis ao clube, incluindo multa de R$ 13 milhões em caso de transferência para outra equipe. Ele afirma ainda que o acordo previa contratação de seguro por lesão grave, de R$ 100 mil, ou pagamento mensal de R$ 4 mil por lesão permanente, o que, segundo ele, não foi cumprido.

Procurado pelo Diário do Peixe, o Santos informou que ainda não foi citado no processo e que irá se manifestar na Justiça.