Sangue Jovem é uma das maiores organizadas do Santos (Foto: Raul Baretta / Santos FC)

O dirigente de futebol do Santos, Júnior Bozzella, procurou a Polícia Civil para registrar um Boletim de Ocorrência por ameaça e intimidação envolvendo o presidente da torcida organizada Sangue Jovem, identificado como Rafael. Segundo o dirigente, o presidente do clube, Marcelo Teixeira, também teria sido alvo de ofensas.

O caso ocorreu na última quinta-feira, quando Bozzella chegou à Vila Belmiro para compromissos internos. Ele relata que foi abordado no Portão 16 por Rafael e outros membros da torcida. No BO, o dirigente afirma que foi cercado, recebeu provocações diretas e ouviu frases como “vou te pegar, vou te bater, isso não vai ficar assim”. Bozzella ainda declarou que Teixeira recebeu ataques semelhantes, porém por meio de mensagens online.

O dirigente afirma que, no momento da abordagem, se sentiu próximo de sofrer agressão física, até que seguranças do Santos intervieram e o conduziram para dentro do estádio. Ninguém ficou ferido. O nome de Rafael já havia sido citado em episódio recente, quando o presidente da Sangue Jovem cobrou publicamente Gabriel Barbosa após sua apresentação na Vila Belmiro, atitude que, segundo testemunhas, chegou a ser repreendida por Bozzella.

No dia da apresentação de Gabigol, o dirigente não estava no clube por estar envolvido em outra demanda: como membro do Comitê de Gestão, acompanhava o pai de Kauan Basile em tratativas contratuais envolvendo o jovem atleta.

Procurado pelo Diário do Peixe, Bozzella disse acreditar que o episódio desta quinta-feira ocorreu porque o Santos decidiu não custear ônibus para a organizada viajar até São Carlos, onde a equipe Sub-20 enfrenta o Cruzeiro nesta sexta-feira à noite, às 21h30, pela Copinha.

Bozzella mantém histórico de diálogo com torcedores organizados e é um dos responsáveis por intermediar conversas entre arquibancada, diretoria e elenco. Por isso, o episódio causou desconforto internamente. No entanto, com este ocorrido, o clube estuda mudar sua postura com a organizada.

A defesa de Rafael foi procurada pela reportagem e respondeu por meio do advogado Ricardo. Em nota, o representante negou que tenha ocorrido ameaça e afirmou que a situação foi uma conversa mal interpretada. Segundo ele, o caso já teria sido esclarecido com o presidente Marcelo Teixeira.

Nota de defesa:

“A Sangue havia pedido uma reunião com ele, ele não compareceu. Na quinta, o presidente (Rafael) estava no Santos quando ele chegou. Estava com outros integrantes, mas apenas o presidente falou com ele. As câmeras vão mostrar isso. Em momento algum houve ameaça ou dedo na cara. Foi apenas uma conversa, e quem se exaltou foi o Bozzella. A torcida não tem nada contra o dirigente. Foi um fato isolado e para nós está superado. Eu, como advogado, já conversei com o presidente Marcelo Teixeira e os fatos foram esclarecidos. A torcida segue apoiando o clube.”