Alexandre Mattos tem contrato com o Santos até o fim de 2026 (Foto: Raul Baretta / Santos FC)

O momento do Santos é de tensão interna após a eliminação precoce no Campeonato Paulista e o início ruim no Campeonato Brasileiro Série A. Com apenas um ponto em três rodadas e ocupando a zona de rebaixamento, o clube vive ambiente de cobrança nos bastidores, que envolve tanto o técnico Juan Pablo Vojvoda quanto o executivo de futebol Alexandre Mattos.

Diretoria aponta Mattos como principal responsável

Em reuniões recentes com o presidente, membros da diretoria passaram a defender que Alexandre Mattos seria o principal responsável pelo cenário atual. O argumento interno é de que o elenco montado por ele e a forma de condução do departamento de futebol não estão agradando.

O Diário do Peixe apurou que há insatisfação não apenas de dirigentes, mas também de parte do elenco. Alguns atletas consideram o dirigente uma pessoa de difícil convivência no dia a dia. Esse desgaste interno tem gerado pressão para que a diretoria avalie a permanência do executivo, ao invés de concentrar as decisões apenas na comissão técnica.

Mattos assumiu oficialmente o cargo em 5 de junho de 2025, com contrato até o fim da gestão do presidente Marcelo Teixeira, prevista para 2026. Ele foi o principal responsável por contratações como Mayke, Lautaro Díaz, Alexis Duarte, Adonis Frías, Willian Arão, Igor Vinícius, Gabriel Menino e Rony. Também participou das chegadas de jogadores que receberam críticas, como Billal Brahimi e Gustavo Caballero, ambos já não estão mais no clube e foram emprestados.

Outros nomes chegaram no período com diferentes contextos. Gabriel Barbosa era desejo antigo de Marcelo Teixeira, que tinha vontade de repatriá-lo; Mattos conduziu a negociação, facilitada pelo próprio atleta. Moisés, que estava no Fortaleza e já havia trabalhado com Vojvoda, foi indicação do treinador. Já Christian Oliva, ainda não anunciado oficialmente por conta do transferban, foi sugerido pelo departamento de análise e aprovado pela comissão técnica.

Vojvoda com o cargo em xeque

Paralelamente, Juan Pablo Vojvoda também está sob avaliação. Uma derrota para o Vasco, na Vila Belmiro, pode resultar em sua demissão. Apesar disso, relatos internos indicam que os jogadores estão fechados com o treinador, mas, demonstram insatisfação com atitudes da diretoria, especialmente em relação a Mattos.

Atualmente, a pressão mais intensa pela saída do técnico não parte oficialmente de membros com cargo no clube, mas de assessores e pessoas próximas ao presidente, que frequentam o dia a dia do CT e defendem a troca por um treinador brasileiro como tentativa de mudança imediata.

Dentro da própria diretoria, há quem entenda que esse movimento pode fazer “a corda estourar para o lado mais fraco”, no caso Vojvoda, enquanto o que consideram o foco central do problema – a condução do departamento de futebol – permaneceria inalterado e não resolveria o problema mesmo com a troca de treinador.

Histórico citado nos bastidores

Nos bastidores, também é lembrado o que ocorreu na passagem de Mattos pelo Cruzeiro. À época, houve relatos de insatisfação de atletas com sua forma de trabalho. O meia Matheus Pereira chegou a ameaçar deixar o clube por divergências internas. Posteriormente, com a chegada do técnico Leonardo Jardim, o ambiente mudou, os jogadores se fecharam com a comissão técnica e Mattos acabou ficando mais afastado até aceitar o convite para trabalhar no Santos.