
No futebol, cada lance pode decidir um título e cada erro, reescrever a história.
Mesmo com o avanço da tecnologia, os erros de arbitragem continuam sendo um dos temas mais polêmicos e debatidos do esporte, afetando campeonatos, reputações e até fortunas em premiações.
O número de erros ainda é alto, mesmo com o VAR
Segundo levantamento da CIES Football Observatory (2025), um em cada seis jogos de ligas profissionais apresenta pelo menos uma decisão errada com impacto direto no placar, mesmo após a introdução do VAR.
No Brasil, um estudo do UFMG Sports Lab (2024) analisou 380 partidas do Brasileirão e apontou que 11% dos jogos tiveram interferência direta de decisões equivocadas, como pênaltis não marcados ou gols anulados de forma incorreta.
Desde a adoção do VAR, em 2019, o número de erros caiu cerca de 35%, mas a polêmica aumentou.
A falta de padronização nas decisões e de clareza nas interpretações segue gerando desconfiança entre torcedores, clubes e jogadores.
Assim como as análises táticas e os dados de desempenho, o uso de tecnologia e estatísticas avançadas também ganhou espaço fora das quatro linhas.
Especialmente entre torcedores que utilizam plataformas como a bet365 para acompanhar probabilidades e resultados em tempo real, tentando entender como diversos fatores podem mudar o rumo de um jogo.
VAR: uma tecnologia que trouxe justiça e novas controvérsias
O VAR (Video Assistant Referee) foi criado para reduzir injustiças, mas acabou abrindo novas discussões sobre tempo, critério e transparência.
A FIFA estima que o sistema acerta 94% das decisões cruciais, contra 82% antes da tecnologia.
Por outro lado, torcedores e atletas reclamam do excesso de pausas, da demora nas revisões e da subjetividade na interpretação dos lances.
Em entrevista à ESPN Brasil, o ex-árbitro Sandro Meira Ricci afirmou:
“O VAR é uma ferramenta incrível, mas o problema está na forma como é usada. A decisão ainda é humana, e por isso o erro não desaparece.”
Caso de grande debate: São Paulo x Palmeiras no MorumBis
No dia 5 de outubro de 2025, São Paulo e Palmeiras se enfrentaram no MorumBis pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O Tricolor vencia por 2 a 0 quando um lance envolvendo Tapia e Allan, lateral do Verdão, mudou completamente a narrativa da partida.
Allan escorregou e derrubou Tapia dentro da área, um pênalti claro, segundo diversos analistas de arbitragem.
Mesmo com o lance revisado, o VAR não recomendou revisão de campo, e o árbitro Ramon Abatti Abel mandou o jogo seguir.
Minutos depois, o Palmeiras reagiu e virou o jogo para 3 a 2, com gols de Vitor Roque, Flaco López e Sosa.
Após a partida, o diretor de futebol do São Paulo, Carlos Belmonte, foi contundente:
“O pênalti no Tapia é inacreditável. O VAR interfere quando não deve e, quando precisa, se omite. Isso é uma vergonha para o futebol brasileiro.”
A crítica ganhou respaldo técnico. O ex-árbitro e comentarista Carlos Eugênio Simon, da ESPN, confirmou a falha:
“Foi pênalti claro. Allan escorrega e acerta Tapia. Sem querer é falta — e dentro da área, é pênalti. O VAR errou ao não intervir.”
O caso reacendeu a discussão sobre a inconsistência do VAR no Brasil, especialmente em lances interpretativos que poderiam alterar o resultado de grandes jogos.
Falta de profissionalização da arbitragem brasileira
Um dos principais fatores por trás da instabilidade das decisões no Brasil é a não profissionalização dos árbitros.
Enquanto em países como Inglaterra, Alemanha e Itália os juízes atuam em regime de dedicação exclusiva e recebem salários fixos anuais — que podem ultrapassar €150 mil —, no Brasil a maioria dos árbitros atua como autônomo, conciliando a arbitragem com outros trabalhos.
De acordo com a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), apenas 12% dos árbitros brasileiros têm contrato em tempo integral com a CBF.
A rotina inclui longas viagens, treinamentos precários e uma carga emocional intensa, sem estrutura física e psicológica compatível com a responsabilidade que exercem.
O ex-árbitro e instrutor Wilson Seneme, hoje ligado à Conmebol, defendeu em entrevista à Folha de S. Paulo (2025) que a profissionalização é “urgente e inevitável”:
“O árbitro brasileiro é cobrado como profissional, mas tratado como amador. Sem dedicação exclusiva, ele não tem como manter o mesmo padrão técnico e físico das grandes ligas europeias.”
Brasileirão: uma das ligas com mais revisões de VAR no mundo
O Campeonato Brasileiro figura entre as ligas com maior número de revisões por jogo.
Segundo o relatório da CIES (2025), a média é de 0,84 checagens de VAR por partida, superando ligas como Premier League (0,52) e La Liga (0,47).
O ex-árbitro Paulo César de Oliveira explica a diferença:
“Na Europa, o árbitro decide com mais confiança porque tem preparo e respaldo. Aqui, o medo de errar e a falta de estrutura fazem o VAR interferir mais do que deveria.”
O apito continua humano e decisivo
O avanço tecnológico trouxe mais justiça, mas não eliminou a essência do futebol: o erro e a emoção.
A questão central agora é estrutural: sem profissionalização, transparência e padronização, o árbitro brasileiro seguirá vulnerável à pressão, à crítica e ao erro.
O VAR ajuda, mas o que o futebol realmente precisa é de árbitros preparados, valorizados e protegidos para que o jogo seja decidido da forma mais justa possível.
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