
Araken foi de ‘penetra’ na Copa do Mundo (Crédito: Reprodução/Assophis)
A primeira edição do Mundial em 1930 contou com um ‘santista’ de penetra. Esse é o destaque da primeira de uma série de matérias do Diário do Peixe, em parceria com a Assophis (associação dos pesquisadores e historiadores do Santos), sobre os ‘Santistas na Copa do Mundo’.
Em 1930, o futebol brasileiro era comandado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), sediada no Rio de Janeiro e presidida por Renato Pacheco. Para organizar a participação brasileira na primeira Copa, o mandatário formou uma comissão técnica composta por Píndaro de Carvalho Rodrigues, Gilberto de Almeida Rego e Elias de Mendonça, todos residentes no Rio.
Como apoio, foram nomeados dois dirigentes na função de “adidos”: João Paulo Vinelli de Moraes e Fábio de Oliveira, também cariocas. A convocação foi anunciada em 7 de maio e reuniu 22 jogadores: 11 de clubes do Rio de Janeiro e 11 de São Paulo. Entre os paulistas estavam o lendário Arthur Friedenreich e três jogadores do Santos: os atacantes Araken Patusca e Feitiço e o goleiro Athiê Jorge Cury.
Mas, para a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), havia algo muito errado naquela seleção e não aceitaram uma comissão técnica sem nenhum representante de São Paulo. Em protesto, a entidade decidiu não liberar seus atletas para o Mundial, mesmo sabendo que a medida enfraqueceria a Seleção Brasileira.
Apesar da determinação da APEA, um jogador resolveu desafiar as ordens. Quando o navio Conte Verde fez escala em Santos rumo ao Uruguai, Araken Patusca embarcou por conta própria. Sem vínculo contratual com o Santos naquele momento, encontrou uma solução curiosa: foi inscrito como atleta do Flamengo, evitando, tecnicamente, descumprir a determinação da entidade paulista.
E ele se tornou o único representante de São Paulo na delegação. Araken esteve em campo na estreia da Seleção, na derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia. Na segunda partida, o Brasil venceu a Bolívia por 4 a 0, mas já entrou em campo sem chances de classificação. Três dias antes, os iugoslavos haviam derrotado os bolivianos pelo mesmo placar e garantido a liderança do grupo. Naquele formato, apenas o primeiro colocado avançava.
A campanha brasileira na Copa do Mundo de 1930 terminou de forma decepcionante, com eliminação ainda na fase inicial. Talvez, com a presença dos principais jogadores paulistas, a história pudesse ter sido diferente. Mas o que aconteceu ficou registrado para sempre: entre disputas políticas e interesses regionais, um santista resolveu desafiar as regras e embarcar rumo à história.
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