Cristiano Dresh é o presidente do Cuiabá (Crédito: Cuiabá/Divulgação)

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, criticou Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, em entrevista ao De Olho no Peixe. Quando questionado sobre o Peixe ser visto como ‘caloteiro’ no mercado, o mandatário santista chamou o dirigente do time do Mato Grosso de desqualificado, mas não citou nomes. Porém, o Dourado foi o único clube que recentemente divulgou uma nota cobrando o Alvinegro por uma dívida pelo zagueiro Joaquim.

“Eu respeito….o único que disse que o Santos…é um desqualificado. Um presidente irresponsável, que faz um depoimento como esse, com um clube co-irmão. Por isso talvez estejam onde estão. Com todo respeito a tradição de um clube como esse”, afirmou.

Depois de algumas horas do corte da entrevista ter saído, o Cuiabá publicou uma nota oficial nas redes sociais e lamentou a declaração do presidente do Santos. Na imagem do post, usaram uma bandeira do time com a frase ‘adjetivos não quitam dívidas’. No fim de setembro, o Peixe chegou a rebater o time de Mato Grosso em nota.

Isso porque a CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) condenou o Santos a pagar um valor de R$ 18.616.377,46 ao clube mato-grossense. A dívida santista com o Dourado é referente a contratação do zagueiro Joaquim realizada em 2023. A diretoria, na época comandada pelo presidente Andres Rueda, não pagou parte da compra do defensor e quando vendeu o jogador, não repassou o valor ao time do Mato Grosso.

O Cuiabá afirma que a última parcela do acordo venceu em janeiro de 2025 e que, posteriormente, houve uma renegociação. Em nota divulgada pelo Cuiabá, o clube abriu mão de parte do valor que tinha a receber para facilitar o acordo e estabeleceu cinco novas parcelas. Mas, o Peixe teria pago apenas a primeira delas. Sem receber, a equipe cuiabana acionou a CNRD em maio do ano passado. A decisão determinou o pagamento da dívida após 16 meses de tramitação.

A decisão da CNRD ainda pode ser contestada pelo Alvinegro no âmbito esportivo. A diretoria santista contesta os valores cobrados pelo Cuiabá. Em abril, o clube informou que não concordava com a cobrança de aproximadamente R$ 18 milhões e aguardava o posicionamento da Justiça.

Veja a nota do Cuiabá abaixo:

O Cuiabá Esporte Clube SAF tomou conhecimento das declarações do presidente do Santos Futebol Clube, Marcelo Teixeira, que chamou o presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, de “desqualificado” e “irresponsável”. Teixeira também sugeriu que talvez seja por isso que o Cuiabá está onde está, “com todo o respeito à tradição de um clube como esse”.

Nesta semana, o Cuiabá quitou integralmente a condenação imposta pela FIFA no caso Petit, de cerca de R$ 5,5 milhões, com recursos próprios e o esforço de seus acionistas. Hoje, recebeu adjetivos ofensivos do presidente de um clube condenado pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá, pela negociação do zagueiro Joaquim.

Há uma inversão de valores quando quem deve se sente à vontade para adjetivar quem cobra. Cobrar publicamente um crédito reconhecido pela CNRD não é desrespeito entre clubes co-irmãos. Entre clubes co-irmãos, a primeira forma de respeito é pagar o que se deve.

Quanto à Série B: a divisão em que um clube joga não mede a honra de quem o dirige. O próprio Santos disputou a Série B em 2024, primeiro ano da atual gestão. Fundado em 2001, o Cuiabá ainda está construindo a sua tradição. Chegou à elite em 2021, disputou quatro edições seguidas da Série A e ergueu, com recursos próprios, uma das estruturas de treinamento mais modernas do país. Voltará pelo caminho do campo, honrando seus compromissos, mesmo quando isso custa caro, como custou ontem.

A gestão do Santos, por sua vez, tem sido notícia por outros números. Recentemente, o clube chegou a 7 transfer bans ativos na FIFA. Três deles envolvem o mecanismo de solidariedade, isto é, valores devidos a clubes que formaram atletas. Há ainda uma sanção por dívidas com o ex-treinador do Santos e sua comissão técnica, obrigação da mesma natureza da que o Cuiabá acaba de quitar. Seguir contratando para a Série A enquanto os credores esperam não é mérito esportivo: é custo transferido para quem cumpre contratos.

O Cuiabá não responderá a adjetivos com adjetivos. As declarações dirigidas ao presidente do clube serão avaliadas por seus advogados. Adjetivos não quitam dívidas. O clube seguirá cobrando, nos foros competentes, cada real que lhe é devido, e espera do Santos não uma opinião sobre a gestão do Cuiabá, mas a data do pagamento. Com todo o respeito à tradição de um clube como esse.