
Reunião recente dos clubes da Série A e B do Brasileiro na CBF (Foto: Divulgação / CBF)
Clubes e federações de futebol foram convidados para uma reunião nesta terça-feira (29), em Brasília, para discutir medidas de apoio ao futebol após a edição da Medida Provisória que proibiu a operação das casas de apostas no Brasil. O Santos está inserido nas discussões, que terão como uma das principais pautas a criação de uma linha de crédito para as equipes.
O encontro está previsto para acontecer no Palácio do Planalto e contará com representantes dos ministérios da Fazenda, do Esporte, do Planejamento e da Secretaria de Comunicação Social. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve participar da reunião.
A principal proposta em discussão é a criação de uma linha de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxas inferiores às praticadas no mercado. A ideia é permitir que os clubes utilizem os recursos para reorganizar dívidas em atraso e, em outra frente, possam investir em infraestrutura.
A estimativa discutida é de que o programa possa chegar a R$ 20 bilhões para atender clubes e SAFs das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O formato, os critérios para acesso e o valor destinado a cada equipe ainda não foram definidos. A operação seria um financiamento, e não um perdão das dívidas.
Santos é afetado pelo fim das bets
O Santos tem interesse direto nas discussões por também estar entre os clubes que mantinham uma casa de apostas como principal patrocinadora. O Peixe fechou no início de 2026 um contrato com a Novibet, com valor fixo de R$ 35 milhões por temporada, além de valores variáveis previstos no acordo.
Após a MP publicada na última sexta-feira (25), Santos e Novibet passaram a discutir os efeitos da medida sobre o contrato. A tendência inicial é de suspensão da exposição da marca e dos pagamentos enquanto o cenário jurídico não é definido. O acordo entre as partes é válido até 2028.
O clube também esteve entre as equipes que, na semana passada, assinaram manifesto em defesa do mercado regulado de apostas. Santos e outras agremiações argumentaram que as empresas do setor se tornaram uma fonte relevante de receita para o futebol brasileiro e defenderam mecanismos de fiscalização e proteção sem a retirada do mercado regulamentado.
Fair Play Financeiro é usado como argumento
A CBF participa das conversas como articuladora. O regulamento de Fair Play Financeiro, que entrou em vigor neste ano, também vem sendo utilizado pelos clubes como argumento para a criação da linha de crédito.
A justificativa apresentada nas negociações é que, diferentemente de outros momentos em que clubes receberam medidas de auxílio, as equipes atualmente estão submetidas a regras de controle financeiro e governança. A expectativa é que esse ambiente permita ao governo avaliar mecanismos de crédito com maior controle sobre a utilização dos recursos.




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