Pedido de impeachment de José Carlos Peres foi protocolado nesta segunda-feira (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

O cenário político do Santos segue cada vez mais conturbado. Nesta segunda-feira, um novo pedido de impeachment do presidente José Carlos Peres foi protocolado no Conselho Deliberativo do clube. Ao contrário dos pedidos anteriores, esse conta com 100 assinaturas, ou seja, um terço do colegiado.

O pedido se baseia nas empresas mantidas pelo presidente que estão em desacordo com o estatuto do clube e tem como punição o impedimento ao cargo. Recentemente, foi descoberto que o presidente Peres era sócio de Ricardo Crivelli, o Lica, gerente das categorias de base do clube e que foi afastado por acusação de pedofilia, em uma empresa chamada Saga Talent.

O mandatário explicou que a empresa estava inativa há muito tempo e o parecer do Conselho Fiscal, divulgado no início deste mês, constatou que ela foi efetivamente fechada em 23 de maio deste ano. Peres confirma e explica que, para encerrar as atividades da empresa, eram necessárias as assinaturas de todos os sócios, o que demandou certo tempo, pois perdeu contato com alguns, dado o tempo de inatividade.

Também é citadas no relatório a empresa Peres Sports e Marketing. Outra polêmica e que não foi citada no pedido é sobre a empresa Hi Talent e a contratação do zagueiro equatoriano Jackson Porozo. Na negociação, o Peixe, sem aparente motivo, repassaria 30% dos direitos do defensor a empresa. Um dos sócios da Hi Talent era exatamente Ricardo Crivelli, o Lica, que repassou sua parte a uma pessoa que residia no mesmo endereço dele, segundo levantado pelo parecer do Conselho Fiscal.

A representação é de autoria de Esmeraldo Tarquínio Neto, ex-presidente do Conselho Deliberativo, e tem assinatura de 28 conselheiros que eram do grupo de Andres Rueda, membro do Comitê de Gestão, e até de Otávio Adegas, candidato indicado por Peres na eleição da presidência do Conselho e que foi derrotado por Marcelo Teixeira por apenas dois votos.

“Mesmo com o presidente fechando a Saga Talent em maio deste ano, ele cometeu infração estatutária grave. E mais, como um dos sócios da empresa está reivindicando 10% da venda de Gabigol à Inter de Milão, em uma ação judicial contra o Santos e contra a família do atleta, se Peres alega que a vinda dele ao clube foi ‘de graça’? Como a empresa nunca atuou, se na coletiva para falar do caso ele afirma que ajudaram muitos meninos? A Comissão de Inquérito e Sindicância tem que apurar. Afinal, segundo a própria CBF em comunicado público, mesmo que tenha agido informalmente, como alega o presidente, ele exerceu, na condição de sócio da empresa, a função de empresários de atletas, o que infringe o nosso Estatuto”, explica Tarquínio.

E agora?

Após protocolado o impeachment, Marcelo Teixeira, presidente do Conselho, tem cinco dias para remeter o documento à Comissão de Inquérito e Sindicância (CIS), que por sua vez, tem o mesmo período para dar ciência do processo de impedimento.

O presidente José Carlos Peres terá então 10 dias, a partir do recebimento do expediente da Comissão, para apresentar sua defesa. Esgotado o prazo da defesa, a CIS terá sete dias para remeter parecer ao presidente do Conselho Deliberativo, que deve convocar sessão extraordinária para deliberar sobre o parecer. Os conselheiros, então, votam secretamente sobre o parecer da CIS.

Se o impedimento for aprovado, será convocada uma Assembleia Geral dos Sócios do clube para, por maioria de votos, aprovar ou não a saída.