
Santos tem oito títulos do Brasileirão (Crédito: Santos FC)
O jornalista Alex Sabino vai lançar a nova edição do livro “O time que nunca seria campeão”, em que conta a história do título do Santos no Campeonato Brasileiro de 2002, nesta terça-feira (07). O evento acontece no Boteco Seu Tijuca, às 20 horas, na cidade de Santos, com uma noite de autógrafos.
Na obra, da Editora Dolores, Alex Sabino traça o contexto de um dos títulos mais importantes para o torcedor santista. Na época, o jornalista acompanhava e fazia a cobertura do Peixe diariamente. Ao DIÁRIO, contou sobre a motivação para contar a história no livro.
“Eu decidi começar a escrever este livro quando o Santos foi campeão brasileiro em 2004. Foi um título sensacional, claro. Sempre é bom ser campeão. Mas eu percebi que não era a mesma coisa de 2002. O título de 2002 foi extraordinário, algo único. E tinha tantas nuances de personagens, do momento do Santos, dos jogadores… E mesmo meu momento como jornalista e santista. Então, eu decidi que era uma história que tinha de ser contada. Mesmo que tenha demorado muito para virar realidade”, afirmou.
“Já era minha ideia fazer um relançamento nos 20 anos do título. A primeira edição, de 2017, está esgotada. Foi quando apareceu a Dolores, editora especializada em livros de futebol. Eles fizeram uma bela edição, atualizamos os textos e fizemos novo prefácio e nova introdução. O título de 2002 foi algo único porque não creio que tenha existido uma conquista tão improvável na história do campeonato brasileiro. O Santos não era apenas o maior candidato ao rebaixamento, mas estava com o futuro em risco. E é um time de tantas histórias improváveis… É algo que não vai voltar a acontecer, acredito.”, completou.
O Santos foi campeão Brasileiro de 2002 depois de vencer o Corinthians por 3 a 2. Com Meninos da Vila brilhando e sob o comando do técnico Emerson Leão, a conquista tirava os santistas do jejum e voltava aos seus tempos de glória. O Peixe só havia conquista o Paulista em 1984, Torneio Rio-SP em 1997 e Copa Conmebol em 1998 nos anos anteriores e voltava a ter um título de primeira linha.
A geração era marcada por Fábio Costa, Alex, Léo, Renatinho, Elano, Robinho, Alberto e entre outros. Com um público de 75 mil torcedores no Morumbi e viradas nos 90 minutos, o dia 15 de dezembro foi inesquecível para o Peixe e para os santistas.
A trajetória do Brasileiro 2002 iniciou com a contratação do técnico Emerson Leão em maio. Sem dinheiro para contratar, o comandante “durão” teve que tirar o melhor do elenco e conseguiu aproveitar jovens talentos das categorias de base. Robinho (18) e Diego (17) logo chamaram a atenção do treinador, depois em Elano e Renato e reaproveitou o zagueiro Alex que estava sem espaço no clube. Apenas algumas contratações foram feitas de forma mais baratas como o goleiro Júlio Sergio, o lateral-direito Maurinho e o atacante Alberto.
Com o time remontado e a responsabilidade nos garotos somada a confiança de Leão, o Santos bateu o Corinthians por 3 a 1 em um amistoso de preparação para o Campeonato Brasileiro. O Peixe iniciou bem o campeonato, mas oscilou e em uma combinação de resultados acabou avançando para as eliminatórias.
Nas quartas de final, enfrentou o São Paulo que tinha feito a melhor campanha da primeira fase e tinha um elenco recheado de estrelas, como Kaká, Rogério Ceni, Ricardinho, Reinaldo e Luís Fabiano. A dupla potencializada pelo Leão brilhou e o Alvinegro venceu o rival por 3 a 1 na Vila Belmiro e 2 a 1 no Morumbi.
Nas semifinais, eliminou o Grêmio vencendo por 3 a 0 no primeiro jogo na Vila. Já em Porto Alegre perdeu por 1 a 0, mas teve sua vaga para a final garantida. Adversário das finais, o Corinthians tinha conquistado o Rio-São Paulo e a Copa do Brasil naquele ano. Ambos os confrontos foram no Morumbi.
A ida, o Santos venceu por 2 a 0 com gols de Alberto e Renato. Na grande decisão, o comandante santista entrou com William no lugar de Alberto, suspenso por ter tomado o terceiro cartão amarelo na primeira final. E sofreu um baque logo no primeiro minuto de jogo, quando Diego sentiu dores musculares e foi substituído pelo experiente Robert. Robinho correu até o amigo e disse que iria ganhar aquele título pelos dois.
O goleiro Fábio Costa evitou o gol corintiano várias vezes no primeiro tempo. Robert procurava acalmar a equipe, tocando e segurando a bola quando necessário. Até que, aos 37 minutos, Robinho recebeu um passe e avançou sobre o lateral Rogério, que recuava e recuava. O atacante santista deu oito pedaladas em frente ao adversário, a última já na grande área, quando foi derrubado. Pênalti que o próprio Robinho cobrou para fazer 1 a 0 e aumentar a confiança dos santistas de que o título brasileiro iria para a Vila Belmiro.
O jogo era tenso, final de campeonato, e Leão foi expulso no início do segundo tempo, após reclamar de uma agressão do volante Fabinho ao meia Robert. A saída do treinador deixou o time inseguro e o Corinthians aproveitou para virar o placar, com gols de Deivid, aos 30 minutos, e Anderson, aos 39, ambos de cabeça. Mais um gol e o título seria do Corinthians, já que havia feito melhor campanha na primeira fase.
Foram minutos de absoluto pavor entre os torcedores santistas. Será que o time iria deixar escapar uma chance tão clara de voltar a ser campeão de um campeonato importante? A resposta foi dada por Robinho, aos 43 minutos, quando escapou pela direita e passou para Elano, na área, empatar o jogo e trazer alívio e loucura à torcida do Peixe.
Os santistas já comemoravam o título nas arquibancadas quando, aos 47 minutos, após outra boa jogada de Robinho, a bola sobrou para o lateral Léo, que driblou o marcador e bateu forte, de direita, no ângulo de Doni para sacramentar o renascimento do Santos como um time campeão.
Na campanha do Peixe foram 17 vitórias, 6 empates e 8 derrotas nos 31 jogos disputados somando 59 gols marcados e 41 sofridos.
FICHA TÉCNICA
Corinthians 2 x 3 Santos
Local: Morumbi – São Paulo
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
Público: 74.586 pagantes
Renda: R$ 1.152.809,00
Cartões Amarelos: Fabinho, Fábio Luciano e Fabrício (Corinthians); Maurinho, Fábio Costa e Léo (Santos)
Gols: Robinho (pênalti), aos 37 minutos do 1º tempo; Deivid, aos 30, Anderson, aos 39, Elano, aos 43, e Léo, aos 47 minutos do 2º tempo
Santos: Fábio Costa; Maurinho, André Luís, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). Técnico: Emerson Leão
Corinthians: Doni; Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Fabinho (Fabrício) e Renato (Marcinho); Gil, Deivid e Guilherme (Leandro). Técnico: Carlos Alberto Parreira
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É O QUE VIROU O SANTOS dos últimos anos , Páginas de livros e histórias pra contar do … Passado !
Recentemente somos o time do PARABÉNS , seja das cidades , ex jogadores e times rivais empilhando taças , enquanto nós ficamos nos parabéns.
Exatamente. Só o passado para nós orgulharmos…Rueda seu Filho da Puta…
Li a primeira versão do livro de Alex Sabino. É excelente e mostra, para quem chegou agora, que o Santos teve times péssimos entre 85 e 2002, muito piores, acreditem, que o horroroso elenco atual. Quem viveu a época sabe. Até a redenção em 2002 a pessoa tinha que amar muito para continuar sendo torcedor do SFC. O Brasileiro de 2002 foi o título mais importante dos últimos 50 anos do Peixe. Sem ele não haveria a Libertadores de 2011.
Por curiosidade, qual time você considera pior que o atual nesse período ?
Pergunto porque vivi esse período e discordo de você , o Santos atual pra mim é de longe o pior de todos que vi , não há um jogador sequer confiável no time atual enquanto os times ruins que você citou sempre tinham pelo menos 2 ou 3 jogadores razoáveis além de serem times com muito mais brio
Sp do começo da década de 90 , palmeiras do meio e curintia do final eram times fortíssimos e o Santos não chegou a ser o saco de pancadas que é atualmente desse trio …
Em 98 por muito pouco e por ter sido assaltado não eliminou o melhor curintia de todos os tempos da semi do brasileiro
Caro, cansei de voltar da modesta Santos a SP depois de tomar de 4 ou 5 de rivais paulistanos na Vila. Vi Camilo, Valdir, Jussiê, Marcelo Fernandes, Copertino, Dino Furacão, Vicente Ampola, Rached, Suemar, Miro… vi e sofri com muitos outros. Eram subidas para SP carregando humilhações. Pior do que a tragédia atual, que também causa vergonha.
Duas coisas marcantes , além da obvia conquista …
Primeira , as faixas da Jovem começaram a ser desviradas e o curintia empatou , quem estava desvirando parou e as faixas ficaram dobradas uns 10 min até a hora que o Elano empatou o jogo.
Segunda , final / clássico no Morumbi dividido com quase 80 mil pessoas e invasão do campo após o final , duas coisas que nunca mais aconteceram nem irão mais acontecer , quem viu viu , quem não viu só no YouTube.
Há uma geração inteira de Santistas que hoje julgam o Santos incapaz de lotar grandes estadios , dividir arquibancadas com seus rivais , ter ambição no quesito público , uma pena.
Não é necessário ser razoavelmente inteligente para constatar o óbvio; um fabricante de chocolates 🍫 endividado somente conseguirá se livrar da falência vendendo chocolates 🍫. Na prática não é tão simples. E preciso reduzir custos, melhorar a qualidade do produto, investir em talento contratando profissionais competentes, e, principalmente, desenvolver relações comerciais com parceiros confiáveis. Como se vê, nada diferente do que deveria ser realizado num clube de futebol nas mesmas circunstâncias. Em tempo, recentemente uma tradicional fábrica de chocolates brasileira foi à falência porque optou pelo caminho contrário. Qualquer semelhança não é mera coincidência.