
Paulo Turra conquistou o Campeonato Paranaense pelo Furacão (Crédito: Divulgação/ CAP)
O Santos anunciou na manhã desta sexta-feira (23) a contratação do técnico Paulo Turra, de 49 anos. Um dos motivos que empolgaram o Peixe em sua contratação foi o bom aproveitamento no Athletico, com 73% e o título do Campeonato Paranaense.
Os números expressivos em aproveitamento levantaram dúvidas, principalmente por conta do Campeonato estadual, que historicamente tem um nível inferior ao torneio nacional. Para João Guilherme Rodrigues, setorista do Furacão na Rádio Banda B, apesar de nem sempre conseguir uma grande atuação, o saldo foi positivo.
“Em grande parte, esse aproveitamento se deve pela conquista do Campeonato Paranaense de maneira invicta, mas sem esquecer também os bons resultados na Libertadores e Brasileirão. Sobre atuações, nos últimos jogos a equipe estava oscilando de uma partida para outra. Quando jogava em casa, conseguia ter uma boa atuação – excelente em alguns jogos. Quando jogava fora de casa, não conseguia ir bem. De modo geral, o Athletico de Paulo Turra era uma equipe muito competitiva dentro do jogo, que independente da atuação, por muitas vezes conseguia um resultado positivo”, disse João.
Turra conseguiu bons feitos no Furacão como voltar a ser campeão invicto do Paranaense após 87 anos, classificação antecipada para próxima fase da Libertadores e vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.
“Um bom trabalho. Conseguiu o título paranaense de maneira invicta após 87 anos, se classificou para as quartas da Copa do Brasil, se classificou na Libertadores com uma rodada de antecedência – algo que não ocorria desde 2000 – e saiu na parte de cima do Brasileirão. As críticas eram mais pela forma que o time se comportava em alguns jogos, principalmente quando jogava fora de casa, contra times fortes. Mas até dentro disso, o Furacão conseguiu resultados expressivos. Portanto, acredito que foi um bom trabalho”, completa João.
“O número é meio maquiado principalmente pelo nível técnico do torneio, basta ver o rival do Athletico onde está na Série A. Mas o Turra não fez muitos táticos e elenco, jogou com time titular na maior parte dos jogos e conseguiu grande aproveitamento. No Campeonato Brasileiro, porém, com adversários mais qualificador não teve a mesma eficácia. Ele não conseguiu implantar suas ideias e até por isso saiu, demitido junto com o Felipão. Internamente não se via que Paulo Turra conseguia dar uma cara ao time e ficava refém das ideias do Felipão”, disse Juliano.
João Guilherme Rodrigues também aponta a questão de Luiz Felipe Scolari entre o trabalho de Turra. O novo treinador santista tinha o respaldo do veterano, mas, internamente, havia uma desconfiança grande se o comandante conseguiria comandar o clube.
“Sim, a demissão foi por conta da saída do Felipão. Quando o Felipão saiu de treinador para o cargo de diretor técnico, foi ele quem bancou o Paulo Turra como treinador do Athletico. Dentro do clube havia muita incerteza sobre a escolha. Desta forma, o Turra sempre gerou desconfiança, mesmo nos bons momentos. Quando o Felipão saiu para o Galo, o Athletico se sentiu traído e preferiu demitir o treinador. Se foi justa, acredito que não pelo Paulo Turra. Ele foi demitido por uma escolha do Felipão. Porém se for analisar o contexto da situação do Athletico, o clube achou melhor encerrar um ciclo e começar do zero”, completa João.
Na parte tática, o treinador opta por um esquema que Odair Hellmann vinha utilizando – 4-3-3. Algumas das características do trabalho de Turra é a presença de um homem pisando na área, pontas que recompõe e laterais que participem do jogo no último terço de campo.
“No geral, Paulo já admitiu que a postura do time que ele coloca em campo depende do contexto, do adversário, etc. Mas, de modo geral, ele gosta de atuar no 4-3-3, com um meio-campo combativo, que além de defender bem, tenha capacidade de construção ofensiva. Nesse modelo de meio-campo, ele gosta de um homem que sempre pisa na área para ajudar dentro da área. Além disso, utiliza pontas que recompõe e laterais que participem do jogo no último terço de campo – sendo um que fica mais na defesa e outro que parte para o ataque. Um ponto interessante para falar de Paulo Turra é a leitura que ele faz do jogo. As alterações no segundo tempo, na maioria das vezes acabam surtindo grande efeito na equipe. Basta olhar o número de viradas que ele conquistou na temporada com o Athletico: oito”, afirma João Guilherme Rodrigues.
Por outro lado, o jornalista Juliano apontou alguns defeitos como transição lenta do Furacão e problemas na bola aérea, setor em que o Peixe também sofreu durante a temporada com Odair no comando.
“Ele tem duas variações do 4-3-3, com um meia centralizado, que variava entre Vitor Bueno e Terans, geralmente Erick e Fernandinho como volantes, dois pontas e um atacante. Ele passou nos últimos jogos a variar volantes: Fernandinho, Erick, Christian e Alex Santana. Hoje, por exemplo, o Christian saiu de volante e foi jogador de ponta. Ele gostava de usar esses homens que cheguem, chute de fora. O Athletico sofreu muito com bola aérea, jogadas nas costas dos laterais, meio-campo com transição lenta, pouca chegava ao ataque e ficavam refém dos pontas”, completa Juliano Lorenz Oscar.
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