
Cuca foi oficialmente apresentado pelo Santos (Foto: Raul Baretta / Santos FC)
Cuca foi apresentado como novo técnico do Santos nesta sexta-feira (20), após a demissão de Juan Pablo Vojvoda na última quarta-feira. Durante a coletiva, o treinador foi questionado sobre o caso ocorrido em 1987, quando ainda era jogador.
Ao responder sobre o tema, Cuca afirmou que não acompanhou as repercussões nas redes sociais após ser contratado novamente pelo Santos e relembrou o período em que o episódio aconteceu. Ele afirmou que não deu a devida importância para a situação pois ficou esquecido por mais de 30 anos e sequer sabia do julgamento.
“Eu não pude acompanhar, foi um dia de viagem desde cedo, de trabalho incessante à tarde. O que eu posso falar: eu, desde 1987, quando era menino e jogava no Grêmio e teve esse episódio de assédio, dirigi diversas equipes e, na verdade, eu nunca dei a importância devida a esse tema, porque era um tema que ficou apagado por 30 e tantos anos. Eu sequer sabia que teve julgamento, sequer um advogado esteve — isso já foi falado um milhão de vezes”, disse.
Na sequência, o treinador citou sua passagem pelo Corinthians e o momento em que o caso voltou à tona. Na ocasião, quando assumiu o clube, houve manifestações contrárias, com protestos da torcida e também do time feminino.
O treinador afirmou que a partir daquele momento buscou solucionar o problema, porém o processo já tinha prescrito e não poderia ser reaberto.
“Quando fui ao Corinthians, teve aquela enxurrada, tudo aquilo que aconteceu. Me reuni com minha família, minhas filhas, minha mulher, e falei: vamos resolver. Fomos atrás do problema no exterior, fizemos tudo que um ser humano pode fazer para reabrir o processo e não conseguimos mais do que tudo que foi feito, que foi a anulação, que foi paga uma indenização — que não precisava também —, que foi trazer para casa a dignidade de um homem, que, no caso, naquele Corinthians, me machucou bastante”, comentou.
Cuca também afirmou que participa de ações voltadas ao apoio de mulheres e comentou a necessidade de envolvimento no combate à violência.
“Eu recebi na minha casa um time de vôlei feminino de Irati, que foi disputar campeonato em Curitiba. Eu ajudo entidades de mulheres carentes, que já sofreram algum tipo de abuso. Eu faço muita coisa por isso, porque entendo que hoje existem cinco vítimas mulheres por dia por feminicídio no Brasil. Tem 20 milhões de mulheres que sofrem algum tipo de abuso no mundo, e cabe aos homens — não só a mim, que estou aqui na frente do microfone —, tenho obrigação de tentar me incluir neste processo e ajudar para que isso diminua, porque acabar é difícil”, afirmou.
“Eu também tenho mulheres na minha família, não podemos esperar que algo aconteça antes de fazer. O que falo hoje, falo para muitos amigos meus: o que pudermos fazer para diminuir o feminicídio, temos que fazer”, completou.
O caso
O caso citado ocorreu em 1987, durante uma excursão do Grêmio à Suíça. Na ocasião, Cuca e outros três jogadores foram acusados de abusar sexualmente de uma jovem de 13 anos em um hotel na cidade de Berna. Em 1989, o treinador foi condenado à revelia, sem estar presente no julgamento, a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com uso de violência. A pena não foi cumprida, já que o Brasil não extradita seus cidadãos.
Em janeiro de 2024, a Justiça da Suíça anulou a condenação por irregularidades processuais. A decisão não reavaliou o mérito do caso, ou seja, não houve uma nova análise sobre culpa ou inocência, encerrando o processo nesses termos.
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