Pepe fez um gol de falta na partida de ida da semifinal no Maracanã (Crédito: Reprodução/Facebook Oficial)

Uma cerimônia de casamento em 18 de julho de 1964 tirou o sono do técnico Lula, comandante do esquadrão santista da época. Quando o padre disse “alguém tem algo contra essa união”, Lula só não ergueu a voz porque já tinha feito um acordo: declarou ‘titular e mulher’. Pepe viajaria com a delegação para jogar e dona Lélia, esposa do ponta-esquerda, iria junto.

“Esse jogo pra mim é inesquecível. Eu estava com o casamento marcado para julho desde o começo do ano. O Lula falou ‘Pepe você vai’. O meu reserva era o Noriva que era um garoto de qualidade, mas ainda inexperiente. Dona Lélia foi a primeira senhora a viajar com a delegação do Santos. Eu falei que só poderia jogar se minha mulher fosse, porque estava com tudo marcado. Joguei, mas infelizmente perdemos o jogo. Depois fiquei mais uns dias em lua-de-mel na Argentina e fui para o Uruguai”, disse o eterno camisa 11 em entrevista exclusiva ao Diário do Peixe.

A partida era válida pela semifinal da Copa Libertadores da América de 1964 e, três dias antes do casamento, o Santos havia sido derrotado pelo Independiente por 3 a 2, gols de Pepe e Peixinho. Lula não abriu mão de seu ponta-esquerda pois já não pôde contar com Pelé, Mengálvio e Coutinho, lesionados, além de Dorval que não fazia parte do elenco naquele ano, em nenhum dos jogos.

“Santos estava muito desfalcado. O Dorval nem estava no Santos, teve uma passagem pelo Racing, da Argentina. Não era o Santos extremamente forte da época de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe que tinham centenas de partidas juntos. Foi uma equipe que teve problemas e eles tinham um time forte. É um time perigoso nas copas, às vezes vão mal no campeonato argentino e nas copas eles se superam”, disse Pepe.

Mesmo assim, ter Pepe como titular não foi suficiente. O Santos foi novamente derrotado pelos argentinos em Avellaneda por 2 a 1, gol santista marcado por Toninho Guerreiro, e acabou eliminado da competição. O Independiente avançou e conquistou, na época, seu primeira, dos atuais sete títulos, Libertadores.

“O jogo lá foi muito difícil. O time do Independiente na época era muito forte. Quando jogava na sua casa, dificilmente perdia. O Santos vivia naquela época uma quantidade incrível de jogos. Não parava de jogar. Foi até equilibrado, mas eles jogaram realmente melhor e ganharam. Eles tinham cinco ou seis que eram sempre convocados pra seleção argentina. Não era melhor que o Santos, mas nessa ocasião eles mereceram o título. Tem uma torcida incrível. Isso não é desculpa de derrota porque o Santos estava acostumado com isso, mas jogar no caldeirão de Avellaneda não era fácil”, lembrou.

Com essa história na bagagem, o Santos do presente enfrenta o Independiente nesta terça-feira, às 21h45, pelas oitavas de final da Copa Libertadores da América, em Avellaneda. O confronto é o primeiro do mata-mata e a volta está marcada para a próxima terça, dia 28, no Pacaembu, às 19h30.