
Neymar publicou stories na academia do CT (Crédito: Reprodução)
O meia-atacante Neymar Jr segue se recuperando de uma artroscopia no joelho e está trabalhando internamente na academia do Santos. Além disso, ele faz tratamento com ondas de choque ao lado do fisioterapeuta na casa. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o camisa 10 brincou com os amigos, que duvidaram que o procedimento dói e depois foram obrigados pelo jogador a testarem.
Diante da repercussão, a técnica cada vez mais presente na fisioterapia esportiva de alto rendimento voltou a chamar atenção. O método consiste na aplicação de ondas de pressão mecânica sobre o tecido lesionado, com o objetivo de estimular a regeneração, melhorar a qualidade do tecido e acelerar o processo de recuperação de atletas submetidos a altas cargas físicas.
De acordo com Alexandre Alcaide, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), o procedimento mostrado no vídeo deve estar diretamente relacionado à recuperação do menisco, estrutura afetada na cirurgia recente do jogador.
“O tratamento por ondas de choque consiste na aplicação de ondas de pressão mecânica que estimulam o tecido-alvo. No caso do Neymar, o tratamento provavelmente foi direcionado ao menisco, local da lesão operada, possivelmente com sutura meniscal, com o objetivo de auxiliar na reparação e reduzir o tempo de imobilização”, explicou.
A reação dos amigos de Neymar no vídeo, marcada por expressões de dor, também gerou repercussão entre os torcedores. Segundo Alcaide, a intensidade demonstrada faz parte de uma brincadeira e não representa o padrão do tratamento.
“O procedimento pode causar um leve desconforto, mas raramente é tão intenso. Em situações muito específicas, pode-se utilizar anestésico tópico, algo que acontece em menos de 1% dos casos”, concluiu.
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A adoção desse tipo de tratamento se torna estratégica em atletas de elite, especialmente em um cenário de calendário apertado e proximidade de grandes competições. Segundo Alcaide, a busca vai além da recuperação mais rápida e envolve a qualidade da reparação tecidual. Além de casos cirúrgicos, a terapia por ondas de choque é amplamente utilizada no tratamento de lesões crônicas comuns no esporte, como dores persistentes na sola do pé e no calcanhar, inflamações causadas por esforço repetitivo no cotovelo e problemas nos tendões do ombro, do joelho ou do tornozelo.
“Atletas de alto rendimento precisam que o tecido reparado suporte elevados níveis de estresse mecânico. O foco é otimizar essa regeneração para permitir um retorno seguro e competitivo às atividades. É fundamental que o equipamento utilizado seja homologado pelos órgãos internacionais competentes, garantindo eficácia e segurança. Existem contraindicações específicas, como em pacientes hemofílicos, pessoas que utilizam anticoagulantes ou em alguns casos envolvendo pacientes idosos, que exigem avaliação cuidadosa”, ressaltou.
Essas condições costumam estar relacionadas ao excesso de carga e à repetição de movimentos, realidade frequente na rotina de atletas profissionais. Quando corretamente indicada e conduzida por profissionais qualificados, a técnica apresenta baixo risco. O Santos não definiu um prazo para o retorno do atleta, mas a expectativa é que em fevereiro ele possa voltar a atuar.
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