Novo Pacaembu terá um Centro Comercial no local atualmente ocupado pelo Tobogã (Crédito: Divulgação)

A partir do dia 25 de janeiro o Estádio do Pacaembu entrará em uma nova era. O dia da final da Copa São Paulo de Juniores marcará o início da gestão do complexo pelo Consórcio Allegra Pacaembu, vencedor da licitação para a concessão do local pelos próximos 35 anos.

Os planos da nova gestão interessam diretamente ao Santos. Desde que assumiu a presidência do clube, em janeiro de 2018, o presidente José Carlos Peres deixou clara a intenção de mandar 50% dos jogos da equipe na cidade de São Paulo e, desde então, o Pacaembu foi escolhido como a casa do Santos.

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, Eduardo Barella, diretor presidente da Allegra Pacaembu, afirmou que sua última conversa com o presidente José Carlos Peres aconteceu no dia 16 de setembro, data da assinatura do termo de concessão na Prefeitura de São Paulo, mas deixou claro o interesse da Concessionária em receber os jogos do Peixe no Complexo.

“As portas estão super abertas e já comentei isso com o presidente Peres. Temos total interesse em receber o Santos e estamos aguardando as movimentações dele”, afirmou Eduardo Barella.

Na entrevista ao DIÁRIO, o diretor presidente da Allegra Pacaembu também falou sobre a precificação dos ingressos após a reforma, prevista para estar concluída em 2023 e que deixará o estádio com capacidade para 26 mil pessoas, mas com cadeiras em todos os setores e uma qualidade nos serviços muito maior do que a oferecida atualmente.

“Nós vamos cobrar um preço pela utilização do complexo. Esse preço vai incluir o uso do campo e uma série de facilidades que hoje o clube é obrigado a levar. A política de precificação é do clube. Hoje ele paga o aluguel e toda a operação é dele. O clube leva a ambulância, o orientador, o pessoal da alimentação. Agora eu sou o responsável legal. Algumas questões nós não abriremos mão. O clube paga o valor e o precifica como quiser”, explicou.

Na última partida do Santos no Pacaembu neste ano, diante do Vasco, no Campeonato Brasileiro, o clube pagou R$ 41.200 de aluguel do estádio, mas as despesas gerais chegaram na casa dos R$ 239 mil. O Peixe gastou, por exemplo, R$ 2.900 com ambulância, R$ 2.800 com banheiros químicos, R$ 34 mil com orientadores, R$ 28 mil com geradores, R$ 26,5 com gradeamento, entre outras coisas que passarão a ser responsabilidade da Allegra. Como o público total ficou abaixo das 13 mil pessoas, o Santos teve um prejuízo de R$ 19 mil na partida contra o Vasco.

“O Santos teve uma grande campanha neste ano, ficou em segundo lugar no Brasileiro. Jogando em São Paulo, onde tem uma torcida relevante, muito grande, em um estádio com ótimo nível de serviço vai fazer com que o Santos melhore a receita de bilheteria, que melhore a situação financeira do clube e dê condições para que o clube invista cada vez mais. Isso vira um ciclo benéfico para todo mundo, para o Santos e para o Concessionário”, afirmou Eduardo Barella.

O diretor presidente da Allegra também tocou no ponto que gera mais polêmica sobre o projeto: a demolição do Tobogã. O local se tornará um edifício multifuncional, com lojas, restaurantes e escritórios. Sem o Tobogã, a capacidade do estádio ficará reduzida para as 26 mil pessoas (hoje comporta cerca de 40 mil).

“Nosso projeto para 2023 prevê a demolição do Tobogã e vamos ter uma redução da capacidade do estádio. Não cabe a mim entrar na estratégia de cada clube, mas o Pacaembu tem tido uma média de público de 18 mil pessoas. Nós acreditamos que um estádio para 26 mil pessoas é uma boa capacidade para receber jogos, inclusive jogos de grande relevância. Não acreditamos que 26 mil pessoas seja um impeditivo para receber jogos do Santos ou de qualquer outra equipe”, explicou Barella.

O novo espaço no local do Tobogã pode, ainda, virar uma grande oportunidade para o Santos. O clube atualmente não conta com uma loja oficial em São Paulo e aluga um espaço próximo ao Pacaembu para o seu Business Center. Ambos podem ser transferidos para dentro do Complexo do Pacaembu.

“Sem sombra de dúvida há espaço para que o Santos ocupe com uma loja oficial do clube ou com escritório. Acho que faz todo o sentido. Para o Santos e outros clubes. A vocação do Complexo é uma vocação esportiva. Estamos sentindo que várias marcas esportivas querem estar atreladas ao Pacaembu de alguma forma. Como o Santos é do litoral, acho que faria todo sentido que ele pudesse estar presente no Complexo. Não houve qualquer discussão nesse sentido, mas estaremos abertos”, afirmou Barella.

Confira todos os pontos da entrevista exclusiva de Eduardo Barella ao DIÁRIO.

Prazos

“Nós assumimos a operação dia 24 de outubro, data em que a Prefeitura nos deu a ordem de serviço. Conforme previsto no edital, tivemos 90 dias de operação assistida. Já estamos no complexo acompanhando a operação da Prefeitura. No dia 25 de janeiro será o primeiro dia de operação plena da concessionária.

Vamos operar o estádio durante todo o ano de 2020, fecharemos o complexo após o término Campeonato Brasileiro e, depois de termos todos os projetos aprovados, vamos fechar entre dois anos e dois anos e quatro meses. Ele será aberto com todo o seu projeto em 2023. Em 2020 estaremos operando e já teremos uma melhoria no nosso nível de serviço para o torcedor que frequentar o estádio.

Nós temos bastante flexibilidade de negociação com os clubes e as Federações para receber os jogos no Pacaembu. Nós temos passado a mensagem a todos que nosso primeiro objetivo é potencializar o complexo e receber os grandes times da Capital, do Interior, de outros Estados, e também torneios de futebol feminino e eventos comemorativos, como a Taça das Favelas. Nós temos flexibilidade quanto ao modelo”

Iluminação e serviços em 2020

“Nós já em 2020 vamos trocar a iluminação do estádio. Vamos fazer um investimento para receber os jogos à noite. Já teremos uma nova área de alimentos e bebidas, se utilizando da estrutura atual, mas com outro nível de serviço. Teremos áreas de hospitalidade, wi-fi nos dias de jogos, estacionamentos. O torcedor vai perceber a melhora no nível de serviço”

Demolição do Tobogã

“Nosso projeto para 2023 prevê a demolição do Tobogã e vamos ter uma redução da capacidade do estádio. Não cabe a mim entrar na estratégia de cada clube, mas o Pacaembu tem tido uma média de público de 18 mil pessoas. Nós acreditamos que um estádio para 26 mil pessoas é uma boa capacidade para receber jogos, inclusive jogos de grande relevância. Não acreditamos que 26 mil pessoas seja um impeditivo para receber jogos do Santos ou de qualquer outra equipe. Em 2020, vamos manter o Tobogã e esperamos que, com essa melhora no nível de serviço, possamos aumentar a média de público.

Nessa nova construção no lugar do Tobogã nós teremos 44 mil metros quadrados de espaços. Sem sombra de dúvida há espaço para que o Santos ocupe com uma loja oficial do clube ou com escritório. Acho que faz todo o sentido. Para o Santos e outros clubes. A vocação do Complexo é uma vocação esportiva. Estamos sentindo que várias marcas esportivas querem estar atreladas ao Pacaembu de alguma forma. Como o Santos é do litoral, acho que faria todo sentido que ele pudesse estar presente no Complexo. Não houve qualquer discussão nesse sentido, mas estaremos abertos”.

Custo para o clube e preço dos ingressos

“Nós vamos cobrar um preço pela utilização do complexo. Esse preço vai incluir o uso do campo e uma série de facilidades que hoje o clube é obrigado a levar. O clube não será obrigado a levar essas facilidades. Hoje paga o aluguel e toda a operação é dele. O clube leva a ambulância, o orientador, o pessoal da alimentação. Hoje eu sou o responsável legal. Algumas questões nós não abriremos mão.

A precificação fica a cargo dos clubes e das Federações. Não entramos  nesse mérito dentro do modelo de cobrança de um custo para a utilização do estádio. O clube paga o valor e o precifica como quiser.

A receita do clube vai ser a bilheteria. Esse é um modelo. Nós  temos sido abordados por outros clubes e estamos discutindo outros modelos. Tem clubes que estão dispostos a dividir a receita de bilheteria e nós dividiríamos a receita de alimentação e bebida. Cada clube tem a sua política. Como eu disse, a vantagem de ter um operador privado é termos a flexibilidade de chegar ao melhor modelo que satisfaça tanto ao concessionário quanto ao time de futebol”.

Casa do Santos

“O Pacaembu é um campo neutro, tem a simpatia dos torcedores dos quatro grandes clubes de São Paulo. Isso é uma coisa que nos atraiu muito no projeto. Me parece natural que a casa do Santos em São Paulo seja o Pacaembu. Já em 2020 teremos uma casa com ótimo nível de serviço, preparada para receber  o torcedor de diferentes classes, e isso pode ser um incentivo para levar mais torcedores ao estádio. O Santos teve uma grande campanha neste ano, ficou em segundo lugar no Brasileiro. Acho que jogando em São Paulo, onde tem uma torcida relevante, muito grande, em um estádio com ótimo nível de serviço, isso vai fazer com que o Santos melhore a receita de bilheterias, que melhore sua situação financeira, que o clube invista cada vez e isso vira um ciclo benéfico para todo mundo, para o Santos e para o Concessionário. As portas estão super abertas e já comentei isso com o presidente Peres. Temos total interesse em receber o Santos e estamos aguardando as movimentações dele”