Atacante passou por momentos de “melhor do Brasil” e por vaias, mas voltou a crescer nos últimos jogos (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Ferroviária, São Caetano, São Paulo e Santo André. Quatro jogos. Quatro vítimas. Quatro gols. “Seria Gabigol o melhor centroavante do Brasil?” era a discussão na época. Mas aí veio o pior jejum da carreira. Gabigol se transformou em apenas Gabriel por longos 718 minutos.

As críticas vieram. Gabigol não se escondeu. Do alto dos seus 21 anos de idade, o camisa 10 chamou a responsabilidade de ser um dos líderes do elenco do Santos. Foi-se Jair Ventura e veio Cuca. No dia 8 de agosto, o atacante se encontrou com um velho conhecido da Europa, mas que ele não tem muita intimidade no Brasil: o banco de reservas.

Na partida diante do Ceará, o camisa 10 teve uma DR com o banco por 45 minutos. Foi o bastante. Ele voltou ao time depois do intervalo e, ainda que não naquela partida em específico, voltou a crescer no time. Gabriel voltou a ser Gabigol: três gols nos cinco jogos subsequentes e um crescimento de produção que lhe rendeu até a faixa de capitão na partida do último sábado contra o Bahia.

“Quando cheguei, falei que era fácil tirar o Gabriel do time, mas o trabalho não é esse, é recuperação. Passa por atitudes, atitude diferenciada em espaço de campo menor, com desgaste menor. Ele às vezes sai demais e faz falta no meio. Ele está respaldado, é um líder, foi nosso capitão merecidamente. Está com alto astral, momento bom, e que fique assim pelo menos até o fim do ano, melhorando ainda mais”, rasgou em elogios Cuca, após a vitória por 2 a 0 com o sétimo gol de seu camisa 10 no Campeonato Brasileiro, apenas três atrás do artilheiro do certame, Pedro, do Fluminense.
“Menino bom. Às vezes temos impressão pelo topete, brinco, roupa, eu sou assim também. Mas pessoalmente sinto pessoa fácil, humilde, carente de companhia dos companheiros e da gente. Todos gostam. É um prazer trabalhar com ele. Fiz o que eu deveria fazer, cobrei, expliquei que ele tinha que se posicionar melhor, perguntei onde queria jogar. Ele disse que queria ser centroavante e trabalhamos para isso, só não dava para ficar de costas. Respondeu bem, ficou no banco, deu para ter ideia da melhora sem ele ou se não fazia falta. Saiu o peso dele. A gente não faz por querer, mas coisas se mostram. Voltou titular, rendeu bem e hoje (sábado) foi nosso capitão. Sempre reivindicando as coisas para os companheiros”, completou Cuca.

No gol marcado diante do Bahia, Gabigol mostrou que conhece como poucos o caminho do gol. Esperou no limite da linha de impedimento do adversário e arrancou no momento perfeito do passe do paraguaio Derlis González para disparar em direção à área. Cruel, como diz a torcida santista, ele não perdoou e chapou de esquerda pro fundo das redes.

“Derlis se adaptou rápido, força, explosão, joga com muita disposição e hoje foi premiado com gol e passe para Gabriel. Gabriel flutuou na linha, tipo pegando a onda, esperou o momento certo e foi muito feliz na decisão”, elogiou o técnico.

Com 16 gols no ano, Gabigol é o artilheiro do time e, hoje, um dos homens de confiança do técnico Cuca. A fase é tão boa que o camisa 10 fez até o Santos esquecer um pouco a busca incessante por um 9. É na perna esquerda do centroavante, por escolha do próprio jogador, que Cuca aposta para retomar o caminho das vitórias no Santos: já foram três nos últimos quatro jogos.