Miguelito está em liberdade provisória e aguarda futuro (Crédito: Reprodução/Polícia Civil do Paraná)

Emprestado pelo Santos ao América-MG, o meia-atacante Miguelito será julgado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por um caso de injuria racial na próxima segunda-feira (19), às 11h30min, pela 1º Comissão Disciplinar da entidade, no Rio de Janeiro. Além dele, outros jogadores foram denunciados por incidentes na partida contra o Operário-PR.

Miguel Terceros foi denunciado no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) que diz sobre “Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

A pena no artigo prevê: “suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código, além de multa, de R$ 100,00 a R$ 100.000,00”.

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CASO PAROU DA JUSTIÇA

Ele responde em liberdade enquanto segue as atividades normalmente no Coelho. O boliviano foi acusado e detido em Ponta Grossa, no Paraná, por caso de racismo na derrota do América-MG para o Operário-PR por 1 a 0, no Germano Kruger, pela sexta rodada da Série B, no dia 4 de maio.

Depois do jogo, o autor (meia-atacante Miguel), a vítima (atacante Allano) e uma testemunha (volante Jacy) foram conduzidas por uma equipe da Polícia Militar até a sede da 13ª Subdivisão Policial. Após ouvir os envolvidos, foi dada voz de prisão em flagrante a Miguelito pelo crime previsto na Lei nº 7.716/89, que prevê pena de até cinco anos de reclusão.

“O que aconteceu foi depois de um lance. Uma falta como o senhor falou. Já tinha tido faltas antigas. Teve coisas que eu falei, mas em nenhum momento eu fui falar olhando para ele. Pelo eu falei “cagao” pela falta, mas foi para o juíz. Estava dando faltas sem sentido. Depois, eu falei uma expressão em espanhol e português. Falei “merda do caralho”, mas nenhum momento falei com ele diretamente. Foi uma expressão que tive, pelas faltas, mas não falei mais nada. Quando viro pra ele, não falo nada. Como falei devagar, ele teve uma reação muito rápida. Estava discutindo pelo lance, comentou a falar “você falou preto?” Eu olhei para ele sem entender nada. Ele virou para mim e falava “você me chamou de preto, você me chamou de preto” e eu olhei para ele com cara de quem não estava entendendo. Depois chegou o amigo dele, começou a briga e não falou mais nada. Sim, só falei isso. Quando eu viro a cabeça, tem duas vezes que olho para ele. A primeira falo “merda do caralho”, quando eu estou na frente foi quando ele começou a falar. Não achei que estava falando comigo e depois chegou o amigo dele”, disse Miguelito de madrugada em depoimento à Polícia.

Ele não passou por audiência de custódia após pedido da defesa acatado pelo juiz Thiago Bertuol de Oliveira. A Polícia Civil já entrou em contato com a ESPN, dona da transmissão do jogo, para pedir mais imagens que possa ter registrado o momento. A investigação segue e o Ministério Público pode denunciar o jogador.

ENTENDA O QUE ACONTECEU

O ocorrido foi relatado pelo árbitro Alisson Sidnei Furtado (TO) na súmula. Pelo registro, Miguel teria chamado o atacante Allano, do Operário, de “preto cagão”. A equipe de arbitragem cumpriu com o protocolo de antirracismo e a situação foi anunciada ao estádio.

“Relato que aos 30 min do primeiro tempo, o atleta número 29 da equipe mandante, Sr. Allano Brendon de Souza Lima, veio até minha direção, alegando ter sido chamado de “preto cagão” pelo atleta Miguel Angel Terceros Acuna, número 07 da equipe visitante. Informo que nenhum integrante da equipe de arbitragem no campo de jogo viu e/ou ouviu tal incidente. Após a comunicação do atleta da equipe mandante, imediatamente foi realizado o protocolo antirracismo, em sua primeira etapa, a qual consiste na paralisação do jogo, realização do gestual antirracista e o anúncio feito no estádio explicando o motivo da paralisação do jogo e que se o incidente não cessasse, a partida seria interrompida”, escreveu o árbitro.