Julia Daltoé é um dos reforços das Sereias para a temporada (Crédito: Pedro Ernesto Guerra Azevedo)

Novo reforço para a temporada das Sereias da Vila, Julia Daltoé conversou com o DIÁRIO sobre a reação ao receber a proposta do Santos, apontou as Sereias da Vila como referência no futebol feminino em âmbito nacional e reveliu o desejo de deixar um bom legado no clube.

“Quando eu recebi (proposta do Santos), eu não esperava porque eu tinha outras propostas em mãos, do Santos não tinha nada concreto. Quando eu recebi falei pros meus pais que é um dos maiores clubes do Brasil em futebol feminino, pensamos as possibilidades, se seria bom para mim e não tinha como não ser. Estou no estado de São Paulo, o que mais da visibilidade para o futebol feminino, tem tantas competições brasileiras, o paulista é uma das competições fortes e não tinha como negar. Então, o que me moveu mais foi a história do clube, tudo que fez e vem fazendo pelo futebol feminino e pelos frutos que está colhendo. Vim para agregar. Já tinha um elenco mais forte que já enfrentei (quando estava no Inter) e vim para somar para tornar mais forte ainda”, afirmou Julia.

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A meia não escondeu a alegria de jogar ao lado da atacante Cristiane e afirmou estar realizando um sonho.

“As Sereias da Vila são referência no futebol feminino, em âmbito nacional e mundial. Eu espero deixar o legado de dar meu melhor sempre, ser mais uma menina que passa por aqui e faz história, ganhar títulos, que sempre está ajudando a equipe. Estou muito feliz por estar jogando ao lado de Cristiane, de meninas que passaram pela seleção, que tem história no clube. Estou feliz com essa oportunidade e é um sonho para mim estar aqui em um clube como o Santos e estar ao lado de mulheres que são referência no Brasil e no mundo. ”

Julia foi morar sozinha em Santa Catarina quando tinha apenas 12 anos, deixou sua família para seguir seu sonho de ser uma jogadora profissional. Ficou dos 12 aos 16 anos na Chapecoense, seu clube formador, e desde então ficou três temporadas no Internacional antes de chegar ao Santos. Julia contou as dificuldades da sua trajetória, suas experiências e da expectativa no Peixe.

“Foi muito difícil para mim ter saído de casa com 12 anos, em uma escolinha que eu jogava apenas com meninos e ter mudado para Santa Catarina para jogar com meninas foi uma decisão muito difícil. Até um dia antes eu tinha desistido, meu pai falou sobre ficar uma semana e talvez voltar se não desse, mas foi a escolha que mais mexeu comigo. Se eu tivesse falado não, eu não estaria onde estou hoje, não teria passado pelo o que passei. Apesar de nova foi uma decisão muito boa, difícil, mas que agora está valendo a pena”, afirmou a jogadora, que relembra os momentos mais difíceis da experiência o começo da carreira.

“O principal desafio que eu enfrentei foi ficar longe da família, passar datas comemorativas sozinha desde muito nova, chorava bastante de saudade. Não era tão madura para viver sozinha, mas tive que aprender na marra por não ter ninguém”.

A jogadora está animada para a primeira temporada com a camisa do Santos.

“A passagem que tive pela Chapecoense foi mais formação, a primeira experiência profissional que eu tive foi no Internacional com 16 anos já jogando o Brasileirão A-2, tive muitas experiências boas jogando A-2, dois anos de A-1 com meninas experientes, mas a minha expectativa com o Santos esse ano é a melhor possível. Por ser um dos maiores clubes do Brasil e para mim é referência no futebol feminino hoje e de anos atrás. Pela estrutura, pelas meninas que são de Seleção, que estão aqui e já passaram, tantas joias como Marta, Maurine…tantas referências. Minha expectativa é a melhor possível, nosso time está unido, trabalhando muito com toda a comissão nova e esse ano maravilhoso promete para nós.”

A meia possui apenas 19 anos, mas acumula convocações para Seleção Feminina de base. Será mais uma do elenco profissional a ter representado a amarelinha, ela falou sobre a primeira convocação, a vivência na Seleção e suas maiores inspirações.

“A primeira convocação eu não esperava, porque eu só jogava futsal em Chapecó e eu nunca tinha jogado no campo. Eu não esperava, já tinha saído a primeira convocação e eu entrei na segunda, não espera ter meu nome na lista e minha reação foi chorar, estava em aula lembro até hoje. Liguei para os meus pais, porque era um sonho mesmo que eu treinava em campo, meu sonho era estar na Seleção Brasileira mesmo jogando futsal, foi um dia histórico para mim. As experiências com a Seleção foi das melhores, consegui jogar a Sul-Americano, na África do Sul e o Mundial sub-17. É uma sensação muito incrível, representar a amarelinha e estar entre as melhores da sua categoria e estar representando o Brasil em uma competição  forte que é o Mundial, o Sul-Americana que a gente se consagrou campeão, consegui fazer gol com minha família assistindo na televisão foi incrível”, afirmou a meia, que é fã da craque Formiga.

“Minha maior inspiração é a Formiga, mas principalmente os meus pais. Eles fizeram tudo para estar aqui hoje, não desistiram de mim, acreditaram em mim, confiaram e investiram em mim. Isso foi o que eles provaram para mim, são uma inspiração pelo o que passaram e enfrentaram pela saudade.”

Ainda na entrevista ao DIÁRIO, Julia comentou sobre o preconceito que infelizmente ainda existe em torno do futebol feminino. A atleta acredita que já houve uma mudança na modalidade através dos investimentos dos clubes, da visibilidade através das transmissões dos jogos, mas que vai evoluir ainda mais nos próximos anos.

“Infelizmente existe sim o preconceito, teve um episódio recente com nós do Santos, das Sereias da Vila. A gente acredita que está mudando para melhor a percepção das pessoas conosco, com as transmissões dos jogos as pessoas tem outros olhares para o futebol feminino e brasileiro. Vai mudar muito, mas infelizmente ainda existe e está mudando para melhor.”

“Eu vejo uma evolução gigantesca no futebol feminino hoje, comparado ao que era, o que outras meninas falam. Antes era precário, não havia bons salários e hoje vemos CBF igualando salários das Seleções, os clubes aumentando salário, criação da Supercopa, visibilidade com canais abertos de televisão transmitindo jogos. Vejo um futebol feminino com outros olhos, visibilidade aumentando, quem assiste aprecia o futebol feminino, antes não acontecia porque não assistia. Os clubes que investem mais são aqueles que vemos chegar fortes em competição de fase, o sub-18 temos Santos, Fluminense, Inter…aqueles que realmente investem na base. Tudo vai melhorar para os próximos anos.”