
Santistas foram protagonistas na Copa de 58 (Crédito: Assophis)
O primeiro título do Brasil na Copa do Mundo de 1958 contou com Pelé entre as principais peças da campanha. Esse é o destaque da segunda matéria de uma série do Diário do Peixe, em parceria com a Assophis (associação dos pesquisadores e historiadores do Santos), sobre os ‘Santistas na Copa do Mundo’.
Como contamos na primeira matéria, o atacante Araken Patusca foi de ‘penetra’ na primeira edição da Copa do Mundo em 1930, mas acabou sendo inscrito como jogador do Flamengo já que estava sem vínculo contratual com o Santos. Depois, tiveram as edições de 1934, 1938, 1950 e 1954 sem nenhuma atleta do Peixe.
Mas foi em 1958 que o mundo descobriu o Brasil com o primeiro título da Amarelinha no Mundial e com santistas atuando. Ou seja, foram cinco primeiras Copas sem um atleta do Alvinegro. Inclusive neste período, o último que havia sido convocado pela Seleção Brasileira foi o ponta-direita Cláudio Cristovam de Pinho que disputou apenas três partidas pelo selecionado nacional em 1942.
O cenário então mudou radicalmente quando o time santista conquistou o bicampeonato paulista de 1955 e 1956. Em 1958, três jogadores do Santos foram convocados: Zito, Pelé e Pepe. A estreia de jogadores santistas em uma Copa do Mundo não poderia ter sido mais marcante. Pelé já encantava o país desde a estreia pela Seleção na Copa Roca de 1957. Em apenas cinco partidas, havia marcado seis gols.

Pepe acabou se machucando e não atuou na Copa (Crédito: Assophis)
Porém, uma dura entrada de Ary Clemente, em um amistoso preparatório contra o Corinthians, colocou em dúvida sua presença na Copa. Coube a Paulo Machado de Carvalho, o futuro “Marechal da Vitória”, bancar a permanência do jovem atacante na delegação, mesmo lesionado. Já Zito disputava posição com Dino Sani, do São Paulo, e Roberto Belangero, do Corinthians.
Embora tenha iniciado a competição como reserva, acabaria formando com Dino Sani a dupla de meio-campo que conduziria o Brasil ao título. Dono de uma rara combinação de técnica, inteligência e poder de marcação, se tornou peça fundamental na campanha. Foi dele, inclusive, o passe para Vavá abrir o placar contra a França na semifinal.
E Pepe vivia excelente fase e concorria por uma vaga com Canhoteiro e Zagallo. O Canhão da Vila embarcou para a Suécia, mas uma lesão sofrida às vésperas do torneio, em amistoso contra a Internazionale de Milão, o impediu de participar da campanha dentro de campo. Apenas na terceira partida da fase de grupos, na histórica vitória de 2 a 0 sobre a favorita União Soviética de Lev Yashin, Pelé e Zito ganharam espaço entre os titulares.
Recuperado da lesão, Pelé, aos 17 anos, começava ali sua trajetória rumo à eternidade. Nas quartas de final, contra o País de Gales, marcou o gol da classificação. Na semifinal diante da França, brilhou intensamente ao anotar três gols na vitória por 5 a 2, resultado que colocou o Brasil pela primeira vez em uma decisão de Copa do Mundo.
Na final contra os anfitriões suecos, o Brasil entrou em campo vestindo, pela primeira vez em Copas do Mundo, a camisa azul. Logo no início, a Suécia abriu o placar com Liedholm. A reação, porém, foi imediata. Em duas jogadas praticamente idênticas, Zito lançou Garrincha pela direita, o “Anjo das Pernas Tortas” cruzou rasteiro, e Vavá apareceu para marcar os dois gols que viraram a partida ainda no primeiro tempo.
Mais uma vez, Pelé foi o grande protagonista da etapa final. O terceiro gol brasileiro entrou para a história: dominou a bola no peito, aplicou um chapéu no defensor sueco e, antes que ela tocasse o chão, finalizou para as redes em um dos gols mais bonitos já vistos em finais de Copa do Mundo. Zagallo marcou o quarto, Simonsson descontou para os suecos, mas ainda havia tempo para mais um capítulo da história.
Coube a Pelé, de cabeça, marcar o quinto gol brasileiro e o último daquela Copa. O Brasil conquistava, enfim, seu primeiro título mundial, tornando-se a primeira seleção a levantar a Copa do Mundo fora de seu próprio continente. E o Santos, que jamais havia tido um jogador em Mundiais nas cinco primeiras edições, passava a ocupar papel central na construção da mais gloriosa história da Seleção Brasileira.
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