Sampaoli foi apresentado no Museu do Futebol na última terça-feira (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Haviam se passado pouco mais de 12 horas do anúncio oficial e lá estávamos nós para presenciar a apresentação oficial do novo treinador do Santos.

Cheguei ao Pacaembu alguns minutos antes do horário combinado e ouvi alguém falando sobre o “evento do Santos”. Olhei ao redor e não me localizei. Tratei de perguntar.

– Amigo, onde será o evento do Santos?
– A última porta, lá na frente.
– Aquela? – ele fez que sim – Obrigado.
– Por nada, boa palestra – desejou o funcionário.

Ele poderia passar por mal informado. Poderia, mas não passou.

Ao chegar ao tal evento, foi entregue um fone de tradução simultânea português-espanhol, um demonstração da grandeza do que estava acontecendo.

O atraso, de praxe, não incomodou. Quando o careca tatuado chegou vestindo sua tradicional camisa social, o que se escutou na sala de imprensa improvisada no auditório do Museu do Futebol teve algo de mágico.

O argentino, que outrora parecia inalcançável, dirigindo um dos grandes times dos últimos anos na Espanha e até mesmo participava da Copa do Mundo da Rússia comandando um tal de Messi, estava ali. Com o fone da tradução simultânea, Sampaoli respondeu perguntas com maestria e deixou a nítida impressão de que algo de diferente está começando.

A começar pelo “match” no Tinder futebolístico entre a filosofia de Sampaoli e o famoso DNA do Santos e o primeiro encontro perfeito e exaltado por Sampaoli, que acha que não merece tanto, já no desembarque do treinador no aeroporto.

A animadora promessa por ter a bola e fazer jogar, independente do esquema escolhido. A perspicaz negativa em aceitar desculpas prontas e viciadas de técnicos brasileiros: calendário brasileiro apertado com jogo quarta e domingo? Nada de mais pra quem jogava “UEFA, Espanhol e Copa do Rei”; Pressão exagerada por resultados e impaciência com o treinador? Nada diferente do que já conhece e a solução é vencer.

No final da coletiva, quem estava certo era mesmo aquele funcionário: foi uma ótima palestra de Jorge Sampaoli, a primeira à frente do Santos.