José Carlos Peres e Jorge Sampaoli no anúncio da contratação do técnico (Crédito: Rodrigo Coca/SantosFC)

No dia 23 de novembro do ano passado, o presidente José Carlos Peres e o então técnico Cuca deram uma entrevista no CT Rei Pelé para anunciarem que o treinador não ficaria no Santos em 2019. A coletiva deu o tom de como foi a relação entre Peres e Cuca (e Jair Ventura, e Gustavo de Oliveira, e Ricardo Gomes, e como é com Sampaoli).

“A gente nunca brigou”, falou Peres. Cuca discordou: “Discutiu, né?”. O presidente, então, teve de admitir: “É, discutiu, mas sempre como uma família, jogamos como um time, é normal”.

Nesta semana, Jorge Sampaoli e Paulo Autuori vão se reunir para discutir o planejamento do clube para 2020 e a permanência do técnico, que parece cada vez mais improvável.

No entanto, o cenário atual é muito diferente de 2018. Ano passado, nessa época do ano, o Santos era praticamente terra arrasada. Não tinha mais chances de brigar por Libertadores, mas também não corria o risco de cair. Não tinha executivo de futebol, tinha um técnico de saída e um elenco que, sabidamente, teria baixas importantes, como o lateral-esquerdo Dodô e o atacante Gabigol.

Neste ano, o Santos sabe que vai perder o lateral-esquerdo Jorge (que não fará falta) e, provavelmente, o zagueiro Gustavo Henrique. Mas já está garantido na fase pré e tem tudo para confirmar uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores. Tem um time na terceira colocação do Campeonato Brasileiro (ano passado terminou em décimo), tem um executivo de futebol e (ainda) tem um baita técnico.

A permanência de Jorge Sampaoli seria fundamental para a sequência do trabalho, com bases bem mais sólidas do que o trabalho que ele mesmo começou em janeiro de 2020.  E o Santos tem bons argumentos para sua permanência. Deu quase todos os reforços que o treinador pediu, tem uma base melhor, vai se desfazer de uma grande gordura no elenco (são quase dois milhões entre salários de Bryan Ruiz, Cueva, Leandro Donizete, entre outros). Tem um departamento de futebol mais profissional.

Se o treinador não ficar, existe tempo para procurar um substituto, existe um departamento de futebol para mapear, indicar e contratar reforços e existe uma base de elenco.

Para transformar essa base em um time vencedor, não precisa de muito. Precisa acertar no meia depois das tentativas erradas de Bryan Ruiz e Cueva, acertar em um centroavante depois dos fracassos de Felippe Cardoso e Uribe. Mais um atacante de lado ajudaria, assim como um volante como Jean Lucas. Na zaga não precisa desespero (temos Luiz Felipe, Luan Peres, Aguilar, Porozo e ainda teremos Veríssimo).

O Santos não tem o mesmo poderio financeiros dos principais rivais. Por isso, tem de chegar sempre antes dos outros. E parta chegar antes precisa saber com quem poderá contar.

O 2020 do Peixe começa nesta semana.