Imagem que os sócios receberam no e-mail (Crédito: Reprodução)

O Santos enviou um e-mail aos associados recomendando um terapeuta aos torcedores um dia após a derrota para o Botafogo por 2 a 1, no Nilton Santos, pela 19ª rodada do Brasileirão, nesta quinta-feira (16). Nas redes sociais, muitos torcedores comentaram sobre a falta de ‘timing’ do anúncio, já que o Peixe retornou ao segundo semestre desagrandando o torcedor e falando da indicação do profissional como ‘deboche’ ao momento do clube.

Ao sócio rei, o e-mail chegou pela manhã desta sexta-feira (17) oferecendo serviços para cansaço e ansiedade, deixando um link para avaliar uma consulta. A repercussão está sendo negativa nas redes sociais até porque atualmente o elenco do técnico Cuca não conta com um psicólogo aos jogadores no Departamento de Futebol profissional.

O terapeuta indicado no anúncio se trata do Dr. Ádan Jardim. Ele é neurocientista do clube e chegou em dezembro do ano passado. Mas o trabalho dele é diferente e voltado para aprimoramento cognitivo. Em release, o Peixe anunciou um novo projeto voltado ao desempenho mental e cognitivo dos atletas com a criação de um laboratório de aprimoramento técnico-cognitivo no CT Rei Pelé.

E com o uso de equipamentos de neurociência para potencializar tomadas de decisão, tempo de reação e leitura de jogo dos jogadores. Em imagens divulgadas, mostram o uso de capacetes com sensores conectados aos atletas durante as atividades. Os aparelhos fazem parte de um processo de monitoramento cerebral e cognitivo que busca analisar estímulos, respostas rápidas e comportamento dos jogadores em diferentes situações.

A ideia é utilizar recursos da neurociência para melhorar aspectos que vão além da parte física e técnica tradicional. Nisso, o entendimento é de que o desempenho cognitivo influencia diretamente no rendimento dentro de campo. Tempo de reação, concentração, tomada de decisão sob pressão, leitura espacial e controle emocional são fatores considerados fundamentais em alto nível.

Os treinamentos são voltados para estimular o cérebro dos atletas em cenários semelhantes aos de jogo, buscando respostas mais rápidas e eficientes durante as partidas. Além disso, o trabalho também pode auxiliar na prevenção de queda de rendimento mental causada por desgaste físico e emocional ao longo da temporada. A tendência é de que o clube utilize os dados coletados para individualizar treinamentos e acompanhar a evolução dos jogadores.

De olho no futebol europeu, o clube vê os exercícios cognitivos, sensores neurais e avaliações comportamentais ferramentas frequentes para aprimorar desempenho e acelerar processos de recuperação física e mental. Dr. Ádan Jardim, é líder do Protocolo de Neurociência Aplicada ao Esporte que está sendo incorporado ao cotidiano do elenco profissional.

O trabalho é diferente de um psicólogo.  Ádan é mestre em Ciências pelo Instituto de Psiquiatria da USP (IPq-FMUSP) e reconhecido por desenvolver protocolos capazes de potencializar o desempenho cognitivo, técnico e físico de atletas.