
Reunião entre CBF, clubes e federações definiu mudanças para as próximas temporadas do Brasileirão (Créditos: Thiago Ribeiro/Staff Images / CBF)
A CBF fez nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, a quarta reunião com clubes das Séries A e B dentro do processo de construção de uma liga do futebol brasileiro e valorização das competições. Em votação, clubes e federações aprovaram a redução gradativa do limite de atletas estrangeiros em súmula e a reformulação das grades e dos horários das partidas das duas divisões do Campeonato Brasileiro.
Na oportunidade, representantes dos 40 clubes das Séries A e B e das federações estaduais assistiram à uma apresentação sobre o atual cenário do futebol brasileiro, feita a partir de um estudo da CBF Academy debruçado na revisão das regras de inscrição de atletas, incluindo o número de estrangeiros, e a padronização dos dias e horários das partidas das Séries A e B.
“Com o objetivo de melhorar o produto do futebol brasileiro, trouxemos hoje duas medidas: uma relacionada à dimensão de jovens talentos, a gente tem um diagnóstico de que os jogadores sub-23 brasileiros têm jogado cada vez menos, em contrapartida o número de estrangeiros aumentou substancialmente nos últimos anos, e isso fez com que os jovens brasileiros tenham cada vez menos espaço. A medida que propomos agora mantém um número importante de estrangeiros, entendemos a importância do estrangeiro no futebol brasileiro, mas, tanto com a redução do limite de estrangeiros, quanto com alterações no molde de inscrição de atletas na competição, tentamos dar mais espaço para os jogadores sub-23 e melhorar a qualidade técnica dos nossos times, principalmente no médio e longo prazo. O segundo objetivo, em relação à padronização de horários, é que temos um diagnóstico que hoje os jogos concorrem em variados horários. A nossa proposta foi de trazer uma grade fixa de horários para depois debater com os detentores que compraram o Campeonato Brasileiro, tanto da série A quanto da série B, para a gente ter de fato um horário padrão do futebol brasileiro”, disse o diretor executivo da CBF, Helder Melillo.
Inscrição de atletas
O estudo elaborado pela CBF Academy e apresentado pela CBF aponta uma elevação da idade média dos jogadores da Série A, que passou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026. O comparativo apresentado mostra que o Brasil possui a maior média de idade entre as seis ligas analisadas (Espanha, Alemanha, Inglaterra, França e Itália completam a análise). O cenário também aparece nas contratações: a idade média dos reforços que chegam aos clubes brasileiros é de 26,3 anos, acima das principais ligas europeias analisadas.
O cenário se reflete também nos indicadores físicos: os dados apresentados mostram que o Brasileirão registra menor volume de corridas em alta velocidade (entre 20 e 25 km/h) e de sprints (acima de 25 km/h) na comparação com as principais ligas europeias. O estudo aponta ainda que jogadores entre 18 e 24 anos apresentam desempenho superior nessas métricas de intensidade, justamente a faixa etária que vem perdendo participação no futebol brasileiro.
O recorte analisado evidencia que estes dados coincidem com a mudança no perfil de contratações e a atual composição do futebol brasileiro. Enquanto a chegada de jogadores veteranos e estrangeiros aumenta neste período, a minutagem de jogadores formados nas categorias de base dos clubes brasileiros diminui.
Em 2026, atletas Sub-23 registraram 13,8% dos minutos disputados na Série A. O percentual é inferior ao registrado em França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%).
Entre 2020 e 2026, a participação de estrangeiros com mais de 23 anos cresceu 3,2 vezes, passando de 7,8% para 25% dos minutos da Série A. No mesmo intervalo, a minutagem dos brasileiros Sub-23 caiu de 28,3% para 11,5%.
Somados brasileiros e estrangeiros, os atletas Sub-23 ocupam atualmente 13,8% dos minutos no país, enquanto nas principais ligas europeias analisadas o índice varia entre 28% e 38%.
Medidas propostas na reunião foram aprovadas por clubes e federações com ampla adesão (Créditos: Thiago Ribeiro / Staff Images / CBF)
A evolução coincide com a ampliação gradual do limite de estrangeiros relacionados por partida. Em 2013, era permitido que três estrangeiros fossem relacionados por partida nas competições nacionais. O número aumentou para cinco em 2014, patamar em que se manteve até 2022. A partir de 2023, o número saltou para sete em 2023 e chegou a nove em 2024, patamar mantido atualmente.
Nesse período, cresceu também a presença efetiva desses atletas nos jogos. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025, foram 162 e, em 2026, 146 já haviam sido utilizados até o momento do levantamento, com outros 13 inscritos e ainda em condições de estrear.
Os números colocam no centro do debate o equilíbrio entre a contratação de atletas mais experientes (brasileiros ou estrangeiros) e a abertura de espaço para jogadores formados nas categorias de base.
A questão tem também impacto econômico. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior consideradas no período, muito acima das receitas dos pares europeus na mesma faixa etária. A redução de oportunidades para esses jogadores impacta também em relação à capacidade dos clubes de formar, desenvolver e negociar novos talentos.
A proposta apresentada pela CBF teve origem a partir de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores durante reuniões do Grupo de Trabalho da Base Brasileira, e foi aprovada pelos clubes e federações com apenas dois votos contrários.
A iniciativa prevê que o número limite de estrangeiros em súmula por jogo, que atualmente é 9, diminua gradativamente até 5 estrangeiros na súmula por jogo em 2030, voltando ao mesmo patamar de 2022. O limite então seria de 8 em 2027, 7 em 2028, 6 em 2029 e 5 em 2030. Vale destacar que a média de estrangeiros por jogo na Série A é de 5,4 relacionados por partida, de acordo com um universo de 219 partidas analisadas.
A proposta para a lista de inscritos também prevê uma mudança gradual até 2030, mas mantém o limite total de 50 atletas por clube. A lista seria dividida em dois grupos: a Lista A, destinada ao elenco principal e com limite para jogadores acima de 23 anos, e a Lista B, formada por atletas Sub-23, sem exigência de terem sido formados pelo próprio clube. Em 2027, seriam 30 vagas na Lista A e 20 na Lista B. A proporção passaria para 29 e 21 em 2028; 27 e 23 em 2029; e chegaria a 25 atletas em cada lista em 2030.
A medida busca ampliar o espaço destinado aos jogadores mais jovens sem reduzir o número total de inscritos. O levantamento apresentado pela CBF mostra ainda que a adequação inicial teria impacto limitado sobre os elencos atuais: 33 dos 40 clubes das Séries A e B já possuem até 30 jogadores acima de 23 anos inscritos, mesmo sem a regra estar em vigor.
Grade de horários
No que diz respeito aos horários das partidas do Brasileirão das Séries A e B, o estudo mostrou que, na Série A, de 2023 a 2025, foram utilizadas 51 combinações diferentes de horários de jogos. Para a Série B, no mesmo período, foram registradas 81 combinações diferentes.
A nova proposta, aprovada sem votos contrários, foi construída a partir de estudos de público, da consulta a clubes e federações e da comparação com as principais ligas europeias, buscando reduzir a fragmentação da grade e criar horários fixos, de forma a dar identidades próprias às duas divisões.
O modelo elimina as janelas consideradas mais prejudiciais ao torcedor, como os jogos às 19h durante a semana e as partidas aos domingos à noite, e procura diminuir os casos em que os jogos da Série A aconteçam em horários semelhantes aos da B.
Na Série A, o domingo passa a concentrar a maior parte dos jogos no fim de semana, com o domingo às 16h como principal âncora, enquanto no meio de semana a quarta-feira concentra seis partidas, na chamada “Super Quarta”.
Na Série B, o sábado se torna o principal dia da rodada, com três jogos às 18h como âncora e quatro janelas exclusivas em relação à Série A; no meio de semana, a competição fica concentrada em dois horários fixos, 19h30 e 21h, entre terça e quinta-feira.
O que foi aprovado
- Estrangeiros em súmula: redução gradual do limite atual de 9 para 8 em 2027, 7 em 2028, 6 em 2029 e 5 em 2030.
- Lista de inscritos: manutenção do limite total de 50 atletas, divididos entre Lista A (jogadores acima de 23 anos) e Lista B (Sub-23). A divisão começa em 30/20 em 2027 e chega a 25/25 em 2030, ampliando progressivamente o espaço para atletas mais jovens.
- Série A: domingo passa a concentrar a maior parte dos jogos, com 16h como horário-âncora. No meio de semana, a quarta-feira terá seis partidas na “Super Quarta”.
- Série B: sábado será o principal dia da rodada, com três jogos às 18h como âncora e quatro janelas exclusivas em relação à Série A. No meio de semana, jogos concentrados às 19h30 e 21h, de terça a quinta-feira.
- Horários eliminados: a nova grade retira jogos às 19h durante a semana e aos domingos à noite, além de reduzir a sobreposição de partidas entre as Séries A e B.




Deixar um comentário