
CBF e clubes aprovam adoção das regras para o futebol brasileiro em caráter imediato (Crédito: Luciana Vermell/CBF)
A CBF realizou a terceira reunião com clubes das Séries A e B do Brasileirão para a criação da Liga do Futebol Brasileiro, em um hotel na Barra da Tijuca (RJ), nesta segunda-feira (10). O encontro definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem, algumas delas foram vigentes na Copa do Mundo e estão nas competições da Conmebol, para todas as divisões do Brasileirão, Copa do Brasil e Feminino A1.
Luiz Fernando Vella, gerente administrativo, representou o Santos na reunião. O encontro marcou o início de um ciclo de discussões para elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, abordando propostas para arbitragem, área que receberá R$ 200 milhões em investimentos entre 2026 e 2027.
Nesta reunião, a CBF propôs aos clubes a adoção das novas regras da IFAB, aplicadas na Copa do Mundo de 2026, ao futebol brasileiro já na temporada atual (o prazo para adoção das novas regras seria 2028). A FIFA estima que o novo conjunto de regras possa dar mais 5 minutos e 49 segundos de jogo a cada partida.
Entre as medidas apresentadas estão a contagem de oito segundos para o goleiro permanecer com a bola nas mãos, com escanteio para o adversário em caso de infração; limites de tempo para arremessos laterais, tiros de meta e substituições; permanência de um minuto fora de campo para atletas atendidos no gramado; adoção do princípio de que somente o capitão dialogue com o árbitro em determinadas situações; e ampliação das possibilidades de intervenção do VAR. Segundo estimativa apresentada pela CBF, o conjunto de medidas observado na Copa do Mundo pode representar um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de jogo por partida.
A próxima reunião do conselho técnico está prevista para 14 de setembro e tratará da organização de competições.
Conheça as novas regras:
- Oito segundos com a bola nas mãos: Goleiro que exceder o limite entrega escanteio ao adversário.
- Cinco segundos para arremesso lateral: Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.
- Cinco segundos para cobrar tiro de meta: Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.
- Dez segundos para deixar o campo em substituições: Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.
- Um minuto fora após atendimento: Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.
- Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por um minuto: Treinador ou capitão indica quem cumpre o minuto fora.
- Somente o capitão fala com o árbitro: Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.
- Cobrir a boca em discussão: vermelho (Protocolo Vini Jr): Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.
- Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo: Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.
- Checagem de VAR para escanteio concedido por engano (aprovada para 2027): Revisável quando levar diretamente a gol ou pênalti.
Um dos pontos que a CBF busca corrigir é o aumento do tempo de bola rolando nas partidas. Em parceria com a CBF Academy, a entidade reuniu seu corpo técnico para entender os pontos que podem resultar no aumento desta média. Daí surgiu o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, com um diagnóstico inédito sobre o tema, embasado por dados fornecidos pela empresa OPTA Stats Perform.
Em 2026, até a parada para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando na Série A do Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos, distante da meta da FIFA de 60 minutos de bola rolando. Vale destacar que nenhuma das grandes ligas mundiais consegue chegar a esta minutagem: a Premier League registra 55:23, a Ligue 1 56:17 (mesmo tempo da Bundesliga), La Liga 55:09 e Serie A, 54:28 (dados considerando a temporada 2026).
Comparando outros dados do futebol brasileiro com os das principais ligas globais, o estudo identifica formas de recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por jogo, ajustando itens como a marcação de faltas, o tempo levado para reposição da bola em jogo, a duração dos atendimentos médicos e as checagens de VAR e impedimento semiautomático.
“A gente partiu de dados para entender onde estão as principais interrupções e o que podemos fazer para melhorar o jogo. O estudo mostra que existe espaço para recuperar mais de seis minutos de bola rolando por partida, e nosso trabalho é transformar esse diagnóstico em ações concretas. Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.
Com uma receita de 1,8 bilhões de euros na temporada 2024/2025, o Brasileirão tem arrecadação distante de ligas como Premier League (7,5 bi), La Liga (5,7 bi) e Bundesliga (5,5 bi), por exemplo. Ciente de que atualmente o futebol brasileiro é um produto subvalorizado, dos pontos de vista desportivo e comercial, a CBF vem tomando uma série de medidas para mudar este quadro. Neste esteio, a modernização do regulamento surge como um ponto de partida das melhorias necessárias para o futebol brasileiro.
O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que estas mudanças precisam ser feitas em concordância entre os protagonistas do futebol brasileiro.
“Esta é mais uma reunião que, como é prática desta gestão, se baseia no diálogo e acontece de forma democrática. Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, disse.
Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF, destacou que a paciência é um componente fundamental para que os avanços se concretizem.
“As mudanças na arbitragem são difíceis, requerem tempo e precisam de mecanismos para se chegar onde queremos. Estamos investindo valores milionários em equipamentos e treinamentos e não é de uma hora para outra que tudo vai mudar. Precisamos dos clubes e dos dirigentes neste processo”, disse.




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