Adilson Durante Filho era conselheiro do Santos (Crédito: Reprodução)

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou a decisão de expulsar o ex-conselheiro Adilson Durante Filho, que havia sido retirado do quadro associativo do Santos após ser flagrado fazendo declarações racistas. Na época, havia vazado um áudio com as seguintes afirmações:

“Sempre que tiver um pardo, o pardo o que que é, não é aquele negão, também não é o branquinho. É o moreninho, da cor dele. Desses caras, tem que desconfiar de todos. Todos que tu conhecer. Essa cor é uma mistura de uma raça que não tem caráter. É verdade, isso é estudo. Todo pardo, todo mulato, tu tem que tomar cuidado. Não mulato tipo o Pedro, o Pedro é tipo índio, tipo chileno, essas porras. Estou dizendo mulato brasileiro, entendeu, dos pardos brasileiros. São todos mau caráter. Não tem um que não seja”.

A decisão do juiz juiz José Wilson Gonçalves, da 5ª Vara Cível do Foro de Santos, tem como razão a falta de defesa do Peixe a Adilson Durante Filho. Agora, cabe ao clube devolver a posse da cadeira especial sob o nº 62 K, localizada na Vila Belmiro.

O Santos tem o prazo de 15 dias corridos para cumprir a determinação judicial, sob pena de multa diária de R$ 350,00, até ao limite de R$ 35 mil, sem prejuízo de condenação por má-fé processual e apuração de responsabilidade pelo crime de desobediência.

Veja a nota que o Santos publicou em abril de 2019:

O Santos Futebol Clube tem em sua trajetória a marca de ter sido, nos anos 60, um dos símbolos mais fortes, a nível mundial, do combate ao racismo, ainda engatinhando naquela época, mas que se fortalecia. O time mágico de Pelé, Pepe, Coutinho, Zito e tantos outros gênios do futebol espalhou aquela maravilhosa imagem de brancos e negros se abraçando para comemorar gols que encantavam o mundo. Até hoje mantemos acesa essa tradição. Assim, é muito triste que tantas décadas depois tenhamos de vir a público reafirmar nosso absoluto repúdio a qualquer forma de discriminação e racismo.

Temos orgulho da nossa história construída em 107 anos de existência por ídolos negros, pardos, brancos e seres humanos de todas as etnias. Brasileiros, somos produto da miscigenação. Santistas, vamos continuar lutando pela paz do nosso branco e pela nobreza do nosso preto, cores eternamente entrelaçadas em nossa história.