“Meu sonho se tornou maior do que havia sonhado”, por Lucas Matheus

Por | 2018-05-15T22:17:09+00:00 15 de maio de 2018, 18:15 |

Pep Guardiola, Lucas Matheus e Carles Planchart, analista de desempenho do Manchester City (Crédito: Divulgação/Santos FC)

Eu estava lá, sentado no banco de reservas bem próximo ao campo onde os jogadores treinavam. Por mim, eu estaria escondido atrás de alguma árvore para não atrapalhar o treino, mas eles insistiram e me colocaram ali. À frente, um time de uniforme azul celeste corria. Três poltronas ao meu lado, sentava-se mister Pep Guardiola. Não foi nesse momento, mas eu chorei.

Chorei porque voltei no tempo, para Goiânia, de onde saí em busca do meu sonho: ser jogador profissional. As coisas nunca foram fáceis e eu só vim parar no Santos porque o meu primo, Crystian, teve uma chance na base e me trouxe junto. Não demorou e eu já estava no profissional, mas não para jogar: para arrumar computadores e celulares dos jogadores. Eu cresci em uma lan house e sempre fui ligado nessas coisas, então aproveitava para fazer uma graninha extra e mandar para a minha família.

Léo, Danilo, Edu Dracena e Arouca eram meus clientes. Quando descobriram o que eu estava fazendo, eu fui chamado pelo Sandro Orlandelli, pelo Zinho e pelo Sérgio Dimas para conversar. Quando entrei na sala, eles me pediram para desistir do meu sonho em prol de outro: fazer parte da comissão técnica do Santos. O meu sonho se tornou maior do que eu havia sonhado.

Naquela época, eu já fazia um relatório que desenvolvi com o Arzul em troco de ingressos para ver os jogos. Ele me dava uma entrada, eu ia para a arquibancada da Vila e anotava cada ação do goleiro em uma caderneta: passe, tiro de meta, defesa alta ou baixa. Eles gostaram e eu fui, então, o primeiro analista do Santos. Eu não tinha uma sala e sequer um computador.

E então entraram três clientes meus: Léo, Ricardo Oliveira e Danilo. Meu primeiro computador foi doado pelo Léo. Depois, o Ricardo Oliveira me deu uma máquina mais avançada. E então, com o Danilo, a história de Manchester começou. Eu entrei em contato com ele e perguntei se havia possibilidade de conhecer o Pep Guardiola. Ele me respondeu que não tinha problema e que era só escolher a data. Quando soube que eu estava juntando dinheiro para poder viajar a Inglaterra, ele comprou minha passagem. Mesmo assim, eu continuei juntando para me hospedar por lá e, então, uma nova surpresa: os jogadores do Santos se juntaram e pagaram minha hospedagem. O Sasha até me deu uma nota de 100 euros e, sinceramente, eu nunca tinha visto uma daquelas. Perguntei o que era e ele riu.

Os treinos do Manchester City são muito restritos e, mesmo assim, lá estava eu, sentado do lado de Pep Guardiola assistindo a tudo. Cortesia do analista da comissão, Carles Planchart, que eu vi assim que cheguei ao CT, chamei-o e expliquei de onde eu vinha. Não só ele, como toda a comissão me adotou. Foi uma recepção que eu não esperava, todos são muito humildes. Ouvi muito. Perguntei muito. Tive vergonha de ser chato, mas não parei. O respeito, a educação e a dedicação dos atletas tanto fora de campo quanto dentro, cumprindo seu papel tático a todo custo, me chamaram muita atenção.

Então, eles me levaram para a sala do mister Pep. Entreguei a ele uma foto do Serginho Chulapa autografada, pois ele é fã da Seleção Brasileira de 1982, e uma camisa do Renato de presente. Ele olhou e, incrédulo, disse: ‘Renato Florêncio? Do Sevilla? Quantos anos?’, ’38’, eu respondi. ‘Em alto nível? Ele é um clássico. Jogou contra o meu melhor Barcelona’. Nessa hora eu dei um abraço nele. Sim, foi aí que eu chorei.

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9 Comentários

  1. Jorge Luiz - Ssa-Ba 15 de maio de 2018 em 23:21 - Responder

    Parabéns ao Lucas por sua estratégia e persistência em buscar seu aperfeiçoamento profissional!
    Mas o que me deixa espantado é a ausência da Diretoria do SANTOS neste processo!
    De fato, em termos de tecnologia nesta área de Avaliação de Desempenho & Treinamentos específicos para Melhoria da Performance, infelizmente o SANTOS continua na IDADE DA PEDRA!
    Se o pessoal do City abriu o jogo, o Lucas deve ter conhecido e ficado de boca aberta com o SW SAP HANA utilizado pelo City Group!

  2. Leandro 16 de maio de 2018 em 00:21 - Responder

    Gostei da materia. Isto chamo de muito além do futebol.
    Seja muito feliz saúde e sucesso.

  3. Aldair 16 de maio de 2018 em 07:45 - Responder

    Parabéns pela matéria e por levar o nome do Santos FC e dos nossos jogadores lá fora

  4. Douglas Nogueira da Silva 16 de maio de 2018 em 08:37 - Responder

    Emocionante, para um jovem onde saiu de casa para buscar o sonho de ser atleta, teve outro concretizado! Parabéns garoto! Siga seus sonhos porque Deus nunca desampara seus filhos!

  5. Junior 16 de maio de 2018 em 11:11 - Responder

    Bela matéria.
    Parabens!!!

  6. Torcida Santos Sempre Santos 16 de maio de 2018 em 11:12 - Responder

    Grande relato, Lucas. Parabéns por seu trabalho, superação e conquista!

  7. João Carlos 16 de maio de 2018 em 12:29 - Responder

    Vai ser um profissional de eucesso, é só nao desistir e algum clube dar optunidade.

  8. ADILSON PEREIRA DA SILVA 16 de maio de 2018 em 15:11 - Responder

    Parabéns garoto, que não seja só este sonho realizado, espero que conquiste outros, espero que o Santos utilize todo o seu desempenho e profissionalismo.

  9. mateus 17 de maio de 2018 em 09:08 - Responder

    o mais engraçado é o eder trakinas assinar o texto do pia, lindamente escrito por sinal, kkkkkkk

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