César Grafietti explicou efeitos da MP no Santos (Crédito: Reprodução)

A Medida Provisória 984, que altera as regras dos direitos de transmissão no futebol brasileiro, tem dividido opiniões pelo país. A nova regra dá aos clubes mandantes das partidas direitos totais sobre as transmissões dos jogos.

O DIÁRIO DO PEIXE procurou César Grafietti, economista e executivo do Itaú BBA, onde é o responsável por estudos sobre a situação financeira dos clubes brasileiros, tornando-se referência nacional no assunto. Ele comentou sobre a MP 984.

“Se confirmada a validade da MP, a tendência no longo prazo é ter os clubes de maior atratividade recebendo mais que os de menor apelo de torcidas. O Santos atualmente arrecada um bom dinheiro. Mas é possível que entre em acordo com outros clubes para formar um bloco onde possa receber mais. Depende da forma de negociação. Sozinho talvez não acesse mais dinheiro do que hoje”, explicou Grafietti, que comparou a situação brasileira com a mexicana, que segue o mesmo modelo de negociação.

“As negociações individuais no México trouxeram dificuldades na negociação dos direitos internacionais, bem como reduzem o valor que o campeonato pode obter. Os jogos acabam competindo em horário, cada clube e transmissor tem uma estratégia, e isso desvaloriza o produto”.

Pela legislação, medidas provisórias do presidente da República têm validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60. O tema tem que ser analisado pelo Congresso em até 45 dias. Caso isso não ocorra, a MP passa a trancar a pauta de votação da Casa em que se encontrar (Câmara ou Senado).