Marcelo Teixeira foi o presidente que mais sofreu transferban entre as gestões do Santos (Crédito: Raul Baretta/Santos FC)

O Santos está com sete transferbans a serem pagos para derrubar a punição na Fifa e voltar a registrar novos jogadores. Só neste ano, o clube teve um ‘recorde’ de penalidades na entidade. Em janeiro e em julho, sofreu transferban por dívidas na compra do zagueiro João Basso e volante Jean Lucas, que já foram resolvidas.

Agora, o Peixe estuda como pagar os quatro transferbans referentes ao pagamento da multa rescisória ao ex-técnico Pedro Caixinha, aos auxiliares Pedro Malta e José Pratas e o preparador de goleiros José Belman. E mais três transferbans da Fifa por não repassar o valor do mecanismo de solidariedade de três atletas e vai acumulando dívidas.

Relembre os transferbans sofridos pelo Santos:

1: Caso Cléber Reis (2020)

O Hamburgo (Alemanha) cobrava o Santos em 4,5 milhões de euros pela contratação do zagueiro Cléber Reis, realizada em 2017. Relembre AQUI.

A punição aconteceu em março de 2020. Contratado na gestão de Modesto Roma Jr. por cerca de 2,5 milhões de euros (cerca de R$ 16 milhões na época), o defensor teve uma passagem discreta no Peixe, que havia quitado a transação com o time alemão. Após anos de cobrança e sem receber, o Hamburgo acionou a FIFA.

Na época, o empresário Andrés Rueda, que na época era apenas um pré-candidato à presidência do clube dinheiro tirou do próprio bolso e emprestou 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 9,8 milhões na época) sem juros para o Santos conseguir completar o valor da entrada exigida pelo Hamburgo. Depois, ele acabou sendo eleito.

2: Caso Soteldo (2020)

O Huachipato (Chile) cobrava o Santos em 3,4 millhões de dólares pela contratação do meia-atacante Yeferson Soteldo. Relembre AQUI. O Peixe havia adquirido 50% dos direitos econômicos do jogador, mas não havia quitado os valores acordados. A inadimplência provocou o bloqueio de registros de novos jogadores, em um período no qual a diretoria tentava reorganizar as finanças e recuperar a credibilidade no mercado internacional.

A solução começou a ser encaminhada em abril de 2021, com a venda de Soteldo ao Toronto (Canadá) por US$ 6 milhões. Parte dos recursos foi destinada ao pagamento da dívida com o Huachipato, permitindo a retirada da punição. Em outubro daquele ano, o Santos anunciou a quitação dos US$ 500 mil restantes do acordo.

O episódio tornou-se um símbolo das dificuldades enfrentadas pelo clube: o jogador que havia sido um dos destaques da equipe na campanha do vice-campeonato da Libertadores de 2020 acabou envolvido em uma negociação que ajudou a resolver uma pendência financeira.

3: Caso Bustos e auxiliar (2024)

O técnico Fabian Bustos e o auxiliar Lucas Ochandorena cobravam o Santos em R$ 4,7 milhões e R$ 1 milhão, respectivamente, pela multa rescisória e pendências trabalhistas após serem demitidos em 2022. Relembre CLICANDO AQUI.

Bustos acionou o Peixe em fevereiro e a punição impediu temporariamente o registro de reforços, afetando o planejamento do clube para a temporada. Entre os jogadores prejudicados pela situação estavam o goleiro Gabriel Brazão, que haviam sido recém-contratado e precisa ser regularizado. O Alvinegro quitou o débito negociado e enviou os comprovantes à Fifa.

Em julho, o auxiliar acionou a Fifa pois o acordo previa o pagamento de dez parcelas de aproximadamente R$ 96 mil, além de uma quantia de R$ 48 mil já paga à vista. A diretoria santista afirmou que havia encaminhado um acordo para resolver a pendência e esperava derrubar a sanção após a formalização dos pagamentos.

4: Caso Cueva (2024)

O Krasnodar (Rússia) cobrava o Santos em 4 milhões de dólares pelo pagamento de parcelas na contratação do meia Christian Cueva, realizada em 2019. Relembre AQUI.

Na sequência de ações envolvendo o Bustos, o Santos Peixe a ser atingido por outro transferban. A contratação do Cueva foi acertado por aproximadamente US$ 7 milhões. Ele teve passagem discreta e deixou o clube em 2020 para atuar no Pachuca (México). Com isso, o Alvinegro interrompeu os pagamentos ao Krasnodar, dando início a uma disputa que se prolongaria por anos.

Em 2021, as partes chegaram a um acordo para renegociar a dívida, mas o clube santista voltou a descumprir o compromisso. A situação se tornou ainda mais delicada porque o clube brasileiro havia recebido cerca de R$ 23,9 milhões do Pachuca, após decisão favorável na disputa envolvendo a saída do jogador, mas não utilizou os recursos para quitar integralmente o débito com os russos.

Em março de 2024, a dívida cobrada pelo Krasnodar girava em torno de US$ 4 milhões, aproximadamente R$ 19 milhões naquele momento. A nova punição impediu o Santos de registrar jogadores até a resolução da pendência.

5: Caso Arouca (2026)

O Arouca (Portugal) cobrava o Santos em 2,7 milhões de euros pelo pagamento de parcelas na contratação do zagueiro João Basso, realizada em 2023. Relembre AQUI.

O clube português Arouca cobrava aproximadamente 2,5 milhões de euros pela transferência do defensor. Depois de uma condenação no âmbito esportivo, o caso avançou até resultar no bloqueio de novos registros na Fifa. Punido, o não conseguiu registrar o volante uruguaio Christian Oliva no começo do ano, que aguardava a regularização para atuar.

A diretoria, então, efetuou o pagamento de 2,56 milhões de euros, cerca de R$ 15,3 milhões na cotação divulgada à época.

6: Caso Mônaco (2026)

O Monaco (França) cobrava o Santos em R$ 12 milhões por pendência na contratação do volante Jean Lucas, realizado em 2023. Relembre AQUI.

O negócio foi fechado por 6 milhões de euros, mas o clube brasileiro deixou de pagar a última parcela, de aproximadamente 2 milhões de euros, vencida em janeiro de 2025. Depois de uma condenação da Fifa, o Santos recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas não conseguiu reverter a decisão. O valor atualizado da dívida chegou a aproximadamente 2,032 milhões de euros, cerca de R$ 12 milhões.

A situação foi resolvida em julho com ajuda de um aporte financeiro da NR Sports, o Peixe pagou a dívida.

7: Caso Caixinha (2026)

O ex-técnico Pedro Caixinha, os auxiliares Pedro Malta e José Pratas e o preparador de goleiros José Belman cobram o Santos pela quebra de contrato e pagamento da multa rescisória em R$ 15 milhões, após a demissão deles em abril do ano passado. Relembre CLICANDO AQUI.

No início de outubro, a Fifa impôs uma sanção por uma dívida com o preparador de goleiros José Francisco Belman Gonzales, em uma cobrança era de 200 mil euros, cerca de R$ 1,1 milhão, acrescida de juros. No dia seguinte, outras três punições foram registradas, envolvendo o próprio Caixinha e os auxiliares José Prata e Pedro Malta. Os quatro processos já haviam passado pelo CAS, sem possibilidade de novos recursos.

Caixinha comandou o Santos em 16 partidas e foi demitido em abril de 2025. O clube não chegou a um acordo para o pagamento da rescisão do treinador e dos integrantes de sua comissão técnica, o que levou os profissionais a recorrerem às instâncias esportivas.

8: Caso mecanismo de solidariedade

Poucos dias depois da punição pela comissão técnica de Caixinha, uma nova punição da Fifa: Santos não repassou o valor do mecanismo de solidariedade em três casos. São dois casos no valor de 120 mil euros (cerca de R$ 674 mil) e um caso de 55 mil dólares (cerca de R$ 275 mil). CLIQUE AQUI.

A diretoria não efetuou repasse obrigatório de 5% das transferências internacionais aos clubes formadores de três atletas e passa a ter a dívida de quase R$ 1 milhão. Com isso, o clube passou a acumular sete punições registradas.