
Santos teve x jogadores na Copa do Mundo de 1974 (Crédito: Assophis)
Pelé, Rei do Futebol, recusou participação, mas o Santos teve outros dois jogadores na Copa do Mundo de 1974. Esse é o destaque da sexta matéria de uma série do Diário do Peixe, em parceria com a Assophis (associação dos pesquisadores e historiadores do Santos), sobre os ‘Santistas na Copa do Mundo’. Veja outras notas da série:
- Araken Patusca ‘penetra’ no Mundial de 1930
- Pelé foi protagonista no primeiro título em 1958
- Recorde de santistas no bicampeonato de 1962
- Seis santistas estiveram na campanha decepcionante do Brasil em 1966
- Pelé e a redenção no Tricampeonato de 1970
RECUSA DE PELÉ
Depois de conquistar o tricampeonato mundial no México, em 1970, Pelé chegou ao ápice da carreira. Para muitos, já havia provado tudo o que era possível dentro do futebol. Quando decidiu encerrar sua trajetória na Seleção Brasileira, em 1971, não encontrou resistência por parte dos dirigentes da CBD nem da comissão técnica do escrete canarinho.
Esse cenário, porém, começou a mudar após a brilhante temporada de 1973. Artilheiro do Campeonato Paulista e campeão pelo Santos, o Rei voltou a despertar o interesse da Seleção. Surgiram convites para que reconsiderasse a aposentadoria e disputasse a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Houve até mesmo pressão do governo militar para que o camisa 10 disputasse sua quinta Copa do Mundo.
Segundo o próprio Pelé, entretanto, o foco já não era o mesmo. O Rei recordava o desgaste vivido às vésperas do Mundial de 1970, quando entrou em conflito com o então técnico João Saldanha, posteriormente substituído por Zagallo. Também pesava a pressão exercida pelo governo do presidente Ernesto Geisel para que voltasse à equipe nacional.
Boa parte da imprensa jamais perdoou Pelé por ter recusado disputar mais uma Copa do Mundo. Embora tenha sido protagonista direto em duas das três conquistas brasileiras até então, o movimento de críticas ao Rei ganhou força a partir daquela decisão, alimentado pela frustração de quem sonhava vê-lo novamente com a camisa amarela.
MARINHO E EDU REPRESENTARAM O SANTOS
Sem o maior jogador de todos os tempos, o Santos foi representado por Marinho Peres e Edu. O volante Clodoaldo, titular absoluto da campanha do tricampeonato em 1970, seria o terceiro santista na delegação. Recuperado de uma lesão muscular na coxa, acabou cortado poucos dias antes da estreia contra a Iugoslávia — uma decisão considerada por muitos um dos fatores que enfraqueceram a equipe brasileira naquele Mundial.
Carlos Alberto Torres também era apontado como um forte candidato a retornar à lateral direita da Seleção. Porém, uma contusão impediu sua recuperação em tempo hábil, afastando-o da briga por uma vaga no elenco.
Marinho Peres disputou as sete partidas da campanha e chegou a exercer a função de capitão da Seleção. Tornou-se, assim, o quarto jogador do Santos a usar a braçadeira em Copas do Mundo, ampliando o recorde do clube, que já contava com Mauro Ramos (1962), Orlando Peçanha (1966) e Carlos Alberto Torres (1970).
Já o genial ponta-esquerda Edu nunca esteve entre os preferidos de Zagallo. Reserva nos dois primeiros compromissos, ambos empatados por 0 a 0 diante de Iugoslávia e Escócia, só entrou em campo na vitória por 3 a 0 sobre o Zaire, em Gelsenkirchen, encerrando a participação brasileira na primeira fase.
Apesar das vitórias por 2 a 1 sobre a Argentina e por 1 a 0 diante da Alemanha Oriental na segunda fase, o futebol pragmático daquela Seleção — definido pelo pesquisador Guilherme Nascimento como “Tico-Tico no Fubá” — não convenceu. O Brasil acabou eliminado pela brilhante Holanda de Johan Cruyff, derrotado por 2 a 0, e encerrou sua participação na quarta colocação após perder por 1 a 0 para a Polônia na disputa pelo terceiro lugar.
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