Eu não seria técnica do Santos

Por | 2018-12-10T18:01:23+00:00 9 de dezembro de 2018, 13:46 |

23 de novembro de 2018. Esse foi o dia em que o nosso ex-técnico Cuca anunciou que, por razões médicas, não continuaria no comando da equipe em 2019, e olha que os rumores de sua saída já vinham muito antes disso. Mas já estamos acostumados a essa espera.

No ano passado demitimos Levir Culpi no dia 28 de outubro e Jair Ventura assumiu apenas em 3 de janeiro. O mesmo aconteceu no auge da temporada deste ano: disputando três competições, ficamos refém das confusões da gestão até o nome do Cuca surgir como relâmpago e seu anúncio imediato ser feito.

Acho que essa tensão no desfecho do ano só ilustra o nosso sentimento de 2018: a espera. Espera por um meia, espera por contratações, espera por uma gestão organizada, espera para saber se o presidente fica ou vai embora e espera pela terceira vez pela troca do comando técnico. A sensação que dá é que assumir o Santos Futebol Clube é um fardo e, de fato, é.

Vamos lá: chamam você para uma entrevista de emprego, e você busca o nome da empresa na internet. As principais notícias são: processo de impeachment em 2018, inúmeros profissionais se retirando e processando a entidade, infraestrutura ultrapassada, uma diretoria retratada em brigas por interesse e amadorismo, relatos de funcionários desmotivados e insatisfeitos e, por fim, a empresa está no vermelho e deve milhões…

Tem apenas um perfil que se encaixa hoje no Santos: o do profissional levemente desesperado. Esse “professor” pode ser um jovem na busca incessante por experiência e afirmação no mercado ou um medalhão fora dos holofotes, sedento por uma oportunidade nova. É triste, mas infelizmente, nos últimos anos, construíram e fixaram essa imagem de fragilidade e de desordem do nosso clube.

Eu não aceitaria ser técnica do Santos, teria receio de me envolver e de fazer parte dessa rede de conflitos. Realmente espero que o novo técnico seja anunciado logo e que ele tenha muita paciência e motivação para trabalhar.

O novo comandante deve saber que não terá responsabilidades apenas dentro de campo, trabalhar no Santos é conferir listas de inscrições, é motivar, cuidar e conversar com os atletas, é se atentar aos contratos, aos salários, é pedir novas contratações, mas ao mesmo tempo ter um plano B com o elenco que já temos, é ouvir várias declarações absurdas e se manter calado, é conseguir ser profissional, envolver-se e ainda manter a saúde em dia.

Treinar o Santos é se basear em uma palavra: amor. Felizmente, ainda contamos com uma camisa pesada e com uma história gigante e maravilhosa. Ainda bem que ela existe, é ela que nos mantém entre os grandes e não deixa que as decisões de hoje nos afundem por completo. Boa sorte para você que está chegando, somos um baita de um problemão, um desafio com certeza, mas somos apaixonados e carentes por respeito e dedicação, você tem tudo para ser nosso herói.

 

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2 Comentários

  1. Antonio Pereira 9 de dezembro de 2018 em 19:02 - Responder

    Texto muito bem escrito e mostra o sentimento de boa parte da torcida santIsta. Afinal quando teremos um planejamento eficaz? A falta de recursos financeiros é um problema perene de boa parte dos nossos clubes mas a ausencia de planejamento tem sido dolorosa no nosso Santos.

  2. Eduardo Henrique 10 de dezembro de 2018 em 08:39 - Responder

    Até quando vamos contar com os deuses do futebol nos protegendo ? Vamos lembrar de 1995 com o Cabralzinho que montou aquele time com o Messias e companhia…ou 2002 com Leão e um time cheio de meninos ? E no dia que esses deuses não quiserem mais ? Devem estar cansados da nossa falta de organização e planejamento !!
    Somos solapados por uma sequência de diretorias incompetentes ou pessimamente intencionadas mesmo. Até quando ?
    Nosso atual presidente me lembra um daqueles ditadores de filme sobre a América Latina. Só faz trapalhadas e fala demais.
    Não sei realmente se ele tem más intenções, é corintiano ou só amador mesmo !!!!
    Os anteriores reduziram o clube a um mero balcão de negócios. O nosso glorioso Santos virou um grande mercado de gente !!!
    Sou da capital e tenho grandes amigos em Santos. Um deles, filho de um comerciante da cidade, me confidenciou que no Santos só consegue acesso a base quem tem empresário !!! Isso em 2003 !!!
    Há o problema dos jogadores de hoje : Muito mimados !!! Qualquer zé quer ganhar 300 mil por mês ou qualquer moleque de 16 anos já tem “estafe”…coisa ridícula !!!!
    Eu frequento estádio desde 1982 e nunca vi uma geração tão sem vontade como a dos nossos jogadores.
    Nós, torcida,temos a nossa culpa também. Ninguém cobra nada e parece que o time está maravilhoso, disputando as primeiras colocações ….esse ano ficamos contentes pq não fomos rebaixados !!!
    Aqui não é o Guarani da Capital ou o Time da Marginal Sem Número !!! Aqui é o Santos !!!

    2019 talvez seja mais um ano que vamos depender do humor dos deuses do futebol.
    Infelizmente nossos dirigentes, com a sua guerrinha de vaidades, esquecem que tudo passa.
    O nosso Santos é ETERNO !!!!

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