Jogadores como Felipe Jonatan ainda estão longe do melhor momento no Santos (Crédito: Ivan Storti/Santos FC)

Por Théo Ogier, especial para o Espaço do Torcedor do DIÁRIO DO PEIXE*

30 de janeiro de 2021, o Santos se preparava para jogar a quinta final de Libertadores de sua história. A torcida estava em êxtase, mesmo com algumas inseguranças sobre o treinador, tinha total confiança no elenco alvinegro. Infelizmente, o Peixe saiu derrotado e logo depois o técnico Cuca optou por não renovar seu contrato, além de jogadores importantíssimos serem negociados pelo clube, como Veríssimo, Pituca e posteriormente Soteldo. Além disso, Sandry sofreu uma lesão grave, que o afasta dos gramados até o fim do ano.

Meses depois, Ariel Holan foi contratado, inclusive agradando bastante a torcida, porém não correspondeu às expectativas e a decisão de se desligar do cargo surgiu do próprio técnico. Fernando Diniz assumiu, porém não teve muito tempo de mudar a situação do clube neste início de temporada. Esse ‘tempo perdido’ com a troca de comandantes custou a eliminação na fase de grupos do Paulista e da Libertadores, o que deixou a torcida muito insatisfeita, pedindo a saída de jogadores que por pouco não foram campeões da América pouco tempo antes.

Realmente, houve uma queda de rendimento brusca de uma parcela dos atletas em comparação à temporada passada, e também existem possíveis justificativas para tal fenômeno: o calendário apertado, que fez o time chegar a jogar um jogo a cada dois dias; o fracasso de Holan, que desorganizou o time e diminuiu a confiança dos jogadores; o peso nas costas de jogadores jovens e protagonistas, como Kaiky (17 anos), Pirani (19 anos), Kaio Jorge (19 anos), Marcos Leonardo (18 anos) e Ângelo (16 anos); e a já citada saída de jogadores importantes do plantel, além da indisponibilidade em alguns jogos de Marinho e Alison.

Seguindo esse cenário, é possível ver muitos torcedores impacientes com o momento do time, o que é completamente compreensível, até porque ninguém quer ver o clube do coração nessa crise dentro de campo. Há quem aponte o dedo para a diretoria, para os jogadores, para o ex-treinador e até para o atual treinador, que comandou o time por 3 jogos, sendo apenas um na área técnica. De fato, a cúpula alvinegra apresentou certa demora para trazer reforços e um executivo de futebol, porém parece que agora decidiu acelerar os processos. Além de jogadores experientes, alguns santistas ainda desprezam a atual safra da base, que mal se adaptou para o profissional e já tem que encarar essa fase complicada do time. Ângelo, Kaiky e Pirani subiram para o profissional recentemente, por exemplo, e não podem ser queimados, pois certamente gerarão muito dinheiro para o caixa santista.

27 de maio de 2021, o Santos não está bem e as cobranças são necessárias para a reação do Leão do Mar. Entretanto, o apoio deve ser tão grande quanto. Jogadores como Felipe Jonatan, Pará e Marinho podem não atravessar uma fase boa, mas é nítido que têm potencial e não foi à toa que contribuíram positivamente na temporada passada. Além disso, os jovens ainda não estão acostumados com essa pressão, então são os que mais devemos ter paciência para não perdermos ativos com grande potencial. Yuri Alberto era vítima de frequentes cobranças da torcida, saiu e hoje está jogando bem no Internacional. O torcedor tem o direito de cobrar, mas também não pode deixar a emoção superar a razão.

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